Início » Above Snakes mistura survival leve com crafting relaxante

Quando a sobrevivência resolve ser mais chá da tarde do que corrida da rafa.
Sabe quando você pega um jogo de sobrevivência e pensa: “Ok, vou passar rafa, vou morrer de sede, vou ser caçado por lobos com olhos vermelhos que gritam em russo às três da manhã”? Pois é. Above Snakes chega, olha pra você e fala: “Amiga, respira. Vamos flectir uns quadradinhos de terreno e plantar cenoura.”
E eu, Magali, que sempre me perco nesses joguinhos porque fico mais tempo admirando florzinha e organizando inventário do que realmente sobrevivendo, achei um amplexo hospitaleiro. Tipo um Stardew Valley, só que com zumbis que parecem figurantes de mercantil de desinfetante.
A proposta é simples e estranhamente viciante: você começa num único bloquinho de planta, porquê se fosse uma peça de quebra-cabeça. E aí, conforme vai explorando, você desbloqueia novos tiles – floresta, lago, planície… até parece jogo de tabuleiro!
Sério, tem alguma coisa mágico em olhar pro planta crescendo porquê se fosse álbum de figurinhas da Despensa. Você pensa: “hoje vou plantar batata, amanhã talvez descubra um lago, depois quem sabe uma floresta enxurro de cervos…”. E eu já tava fazendo planos de decoração antes mesmo de ter recursos pra edificar uma colmado. Porque né, prioridades: sofá primeiro, teto depois.
Tá, tem zumbi. Mas vamos combinar? Esses zumbis são tipo os estagiários do apocalipse. Eles vêm andando lentamente, tropeçando nos próprios pés, e você pensa: “fofinho”. Não dá pânico, não dá pressão. É mais fácil ignorar e continuar colhendo frutinhas.
E eu não tô reclamando! Porque se tem alguma coisa que me irrita em survival é morrer de sede. Tipo, eu na vida real já esqueço de ingerir chuva. Aí vou pro jogo e também morro desidratada? Não, obrigada. Em Above Snakes, a sede existe, mas é quase simbólica. Você bebe, come, dorme, mas nunca fica naquele desespero de “vou morrer porque não achei 0,0001 litro de chuva num quina do planta”. É survival versão spa.
O coração do jogo é o crafting. Você coleta madeira, pedra, frutinhas… e faz desde ferramentas até móveis que não servem pra zero além de deixar sua casinha linda. E isso é perfeito. Porque qual o sentido da vida se não for ter uma cadeira de balanço estilosa enquanto o mundo tá caindo aos pedaços?
Me peguei horas só organizando meus recursos. Tipo: essa rima de madeira fica cá, essas cenouras vou velar bonitinhas, e esse machado… vou invocar de José. É o tipo de jogo que desperta o “síndrome de decoradora de The Sims” que habita em mim.
A sacada dos tiles (os quadradinhos de terreno) é ótima porque dá a sensação de que você constrói o mundo com as próprias mãos. Mas também não é zero super estratégico, tá? Não espere Civilization cá. É mais: “quero peixe, boto lago. Quero bicho, boto floresta.”
E eu adorei isso. Porque, olha, meu cérebro já tem TDAH o suficiente pra mourejar com microgestão de cidade. Cá é só “plante o bloquinho visível e aproveite”.
Cá o jogo escorregou mal-parecido: os NPCs são mais sem perdão que figurante de romance que só fala “sim, doutor”. Eles estão ali pra pedir coisa. “Traz madeira, traz pedra, faz sopa, pega item”. Não tem carisma, não tem profundidade. Podiam ser caixas de correio. E as falas… meu Deus, as falas! É aquele nível “clica rápido e ignora” porque não acrescenta zero.
No fundo, Above Snakes não quer ser reptante. Ele quer ser um chill game. E tudo muito! É jogo pra você entrar depois de um dia estressante, sentar com um chazinho (ou coca gelada, no meu caso), e permanecer ali cortando árvore e vendo o sol de papel se pôr.
Mas… se você é do tipo que quer tensão, duelo, monstros brutais e urgência de planejamento hardcore, vai descobrir vazio. Eu me diverti porque senhor perder tempo em detalhes inúteis. Mas entendo quem diga: “isso não é survival, é decoração rústico com zumbi figurante.”
Visual: minimalista, mas lindo. Aquela vibe isométrica clean que dá vontade de tirar print a cada 5 minutos.
Som: trilha envolvente relaxante, quase ASMR de natureza. Bate até vontade de dormir (no bom sentido).
Loop viciante: “vou só trinchar mais uma árvore” → três horas depois você construiu uma mansão de papelão.
Camera? Não, cá nem é problema. O problema é o ritmo: chega uma hora que o jogo não tem mais o que te oferecer além de “mais do mesmo”.
História? Existe, mas é rasa. O tal meteorito virente e os mortos-vivos são desculpa pra gameplay, não espere narrativa emocionante.
NPCs? Já falei, mas reforço: sem vida, sem sal, sem tempero.
Above Snakes é tipo aquele caderno de origami que você abre e descobre que dá pra fazer muito mais do que imaginava. Ele não é revolucionário, não é profundo, mas tem um charme próprio que faz você pensar: “ok, só mais um tilezinho antes de desligar…” Pra quem procura um jogo relaxante de sobrevivência light, com crafting gostosinho e estética única, é uma ótima pedida. Mas pra quem quer adrenalina, transe e narrativa de ouriçar, melhor procurar em outro deserto.

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