American McGee diz que EA pressionou Alice: Madness Returns para ser mais “sexy”

American McGee diz que EA pressionou Alice: Madness Returns para ser mais “sexy”

3 minutos 26/04/2026

American McGee revelou que a EA pressionou o desenvolvimento de Alice: Madness Returns para que o jogo se tornasse “mais sexy”, além de ajustar elementos de violência e horror para um público maior de 18 anos. As exigências do departamento de marketing teriam sido um ponto de atrito desde o início do projeto, segundo o instituidor.

De congraçamento com American McGee, havia um descompasso evidente entre o jogo que ele queria produzir e o que o marketing da EA buscava durante o desenvolvimento. A equipe defendia uma classificação voltada a maiores de 18 anos, com foco em gore e terror, e também solicitava uma caracterização de Alice uma vez que “psicótica”. Em meio a essas demandas, surgiu ainda o pedido para tornar o título mais “sexy”, um pouco que irritou particularmente o desenvolvedor.

McGee disse que não pretendia retratar Alice uma vez que uma psicopata, nem incluir mais sangue ou mudar o tom para atender esse tipo de solicitação. Para responder ao que ele descreveu uma vez que um pedido paradoxal, ele teria tomado uma atitude inusitada: colou dildos na cabeça de uma lesma gigante e enviou a imagem por e-mail ao time de marketing. Na versão do próprio instituidor, a partir desse incidente o departamento teria parado de obstinar.

O instituidor também explicou que sua capacidade de recusar exigências não dependia exclusivamente de “irreverência”. Havia um congraçamento contratual que lhe dava autonomia criativa significativa. Segundo American McGee, o financiamento do projeto não veio diretamente da EA, mas de um banco de Los Angeles, com um protótipo de financiamento por títulos semelhante ao usado em produções cinematográficas. Na prática, enquanto a equipe cumprisse prazos e orçamento, teria liberdade para decisões de design, história e produção, desde que o trabalho permanecesse leal ao projeto definido no término da pré-produção.

Mesmo com essa margem, o desenvolvimento terminou com um paladar amargo. Perto da entrega final, McGee avaliou que seriam necessários mais 30 a 60 dias para o polimento, já que o jogo estava longo em alguns pontos e precisava de cortes. A EA, porém, recusou a extensão. American McGee resumiu o resultado uma vez que uma situação em que o jogo foi entregue dentro de orçamento e prazos, sem interferência direta do publisher, mas sem a possibilidade de uma última período de revisão.

Apesar do desfecho, ele destacou o peso histórico do projeto: Alice: Madness Returns foi o primeiro jogo AAA desenvolvido completamente por um time chinês e também o primeiro videogame financiado via financiamento por títulos na China. Ainda segundo o instituidor, a equipe teria sido “a primeira na história a expor para a EA ir se ferrar e (quase) trespassar incólume”.

A história contada por American McGee reforça uma vez que, em grandes produções, a disputa entre visão criativa e objetivos de marketing pode moldar até mesmo o tom mais específico de um jogo. Ao mesmo tempo, o caso evidencia que autonomia contratual pode fazer diferença real, ainda que não impeça frustrações na reta final.

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