Avalanche fecha estúdio após cancelamento de Contraband

Avalanche fecha estúdio após cancelamento de Contraband

3 minutos 01/10/2025

Avalanche fecha estúdio em Liverpool e tiozão pergunta: “quantos caixões de empresas ainda cabem nesse cemitério gamer?”

Lá vamos nós de novo. Mais uma notícia fresquinha pra coleção: a Avalanche Studios, que já nos deu coisas uma vez que Just Cause (aquele simulador solene de retrair paraquedas infinitos e explodir galinhas com C4), resolveu desligar as luzes do estúdio de Liverpool depois do cancelamento de Contraband. Sim, aquele jogo que a Microsoft anunciou com todo o pompo e situação, dizendo que seria “a próxima grande aposta do Xbox”. Cinco anos de desenvolvimento depois, virou fumaça. Literalmente, porque só sobrou pó.

Segundo a nota solene — que é sempre aquele “PowerPoint de desculpas corporativas” — eles revisaram “a melhor forma de prometer o sucesso a longo prazo”. Tradução: trinchar gente, fechar portas e forrar na conta de luz. Resultado? Liverpool já era, e os estúdios da Suécia (Estocolmo e Malmö) também vão sentir o baque com demissões.

Contraband: a promessa que virou contrabando mesmo

Convenhamos: Contraband já tinha virado piada interna. Cinco anos de “desenvolvimento” e o que vimos foram trailers com CG de fumaça e umas guitarras de fundo que pareciam sobras de Mad Max: Fury Road. O jogo era pra ser cooperativo, mundo desimpedido, contrabandistas… enfim, Sea of Thieves com carros velhos, talvez? Só que, pelo visto, nem a própria Avalanche conseguiu contrabandear esse projeto pra fora da gaveta.

Avalanche: do firmamento ao pavimento com paraquedas infinito

É irônico porque a Avalanche ficou famosa por Just Cause, jogo onde você literalmente pode explodir um vilarejo inteiro com um paraquedas na mochila e um arpão que gruda em tudo (inclusive vaca). Mas agora quem caiu de paraquedas no purgatório da indústria foi o próprio estúdio. E pensar que esses caras também fizeram Mad Max — um jogo tão bom que até hoje eu me pergunto se não foi precito por ser melhor do que devia ter sido.

E aí fica a pergunta: quantos estúdios mais vão fechar até a gente perceber que essa indústria tá rodando igual processador esquentando sem pasta térmica?

Onde vamos parar?

O mais triste é que não é só a Avalanche. Esse ano já teve mais fechamento que locadora nos anos 2000. Estúdios com IPs incríveis, devs talentosos, tudo jogado na vala porque acionista quer gráfico bonito de propagação no PowerPoint.

A real é que a indústria de games hoje é um loop de esperança, hype, trailer bonito, crunch eterno, cancelamento, exoneração em tamanho. Parece Groundhog Day, mas sem a secção divertida do Bill Murray.

E se você tá pensando “ah, mas a Avalanche vai se reformar e se reerguer”… mano, já ouvi essa história tantas vezes que dá pra montar um álbum de figurinhas da Panini só com desculpas de CEOs.

Mais uma empresa cai, mais gente perde o ocupação, e a gente fica cá, com aquele gostinho amargo de nostalgia. Porque lembra quando nos anos 80 e 90 os estúdios eram pequenos, faziam jogos malucos sem pensar em IPO ou acionista, e o supremo de fechamento que rolava era quando a mãe do dev desligava o disjuntor sem querer?

Pois é. Hoje cada estúdio que fecha é uma vez que mais uma ficha de fliper que cai no pavimento e rola pro buraco da máquina. Perdida pra sempre.

A Avalanche de Liverpool se foi. Contraband se foi. E nós seguimos nos perguntando: “are you ok?”, uma vez que diria o Terry Bogard. Mas não, SNK, não estamos ok.

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