CD Projekt vende a GOG para cofundador e muda estratégia

CD Projekt vende a GOG para cofundador e muda estratégia

3 minutos 29/12/2025

Puxa a cadeira de plástico, liga o PC com gabinete bege imaginário e coloca um DOOM MIDI de fundo, porque essa notícia cá não é só sobre verba. É sobre filosofia, história do PC gaming e uma decisão que cheira a disquete velho — no bom sentido.

CD Projekt vende a GOG. E, pela primeira vez, isso faz todo o sentido.

A CD Projekt anunciou a venda totalidade da GOG para ninguém menos que Michał Kiciński, cofundador da própria CD Projekt.

Preço do negócio?
👉 90,7 milhões de zlotys, alguma coisa em torno de US$ 25,2 milhões.

E antes que alguém grite “desespero”, “crise” ou “venderam a espírito”, respira.
Essa é uma daquelas decisões que não se explicam só com planilha.

GOG nunca foi só uma loja. Sempre foi um manifesto.

Pra quem joga no PC há mais de cinco minutos (ou cinco décadas), a GOG sempre foi a ovelha anti-sistema do mercado do dedo:

Enquanto o mercado caminhava alegremente para:

“você não possui zero e ainda deve gostar disso”

A GOG dizia:

“Baixa, guarda, joga quando quiser.”

Isso não é trivial.
Isso é heresia corporativa em 2025.

Por que a CD Projekt vendeu?

Cá entra o RumbleTech analítico, sem romantizar demais.

A CD Projekt hoje é:

  • AAA pesado

  • Ciclos longos de desenvolvimento

  • Pressão absurda pós-Cyberpunk 2077

  • Foco totalidade em The Witcher, Cyberpunk e novas IPs

Manter uma loja do dedo filosoficamente oposta ao mercado, que:

…não é exatamente o tipo de coisa que agrada investidor de pequeno prazo.

Separar as coisas é estratégico.
E vender a GOG para o próprio instituidor da teoria é o pormenor que muda tudo.

Michał Kiciński: o guardião do DRM-free

O exposição do Kiciński foi direto, quase ofensivo para padrões modernos:

  • liberdade

  • independência

  • posse real dos jogos

Em um mercado que empurra:

A GOG vira praticamente um refúgio retrô-filosófico.

Mais interessante ainda:
Kiciński confirmou envolvimento com novos jogos de espírito retrô, previstos para chegar à plataforma em 2026.

Ou seja:
👉 não é só manter o museu franco.
👉 é produzir teor com essa mentalidade.

E os jogos da CD Projekt? Calma.

Importante deixar evidente:
The Witcher, Cyberpunk e futuros jogos da CD Projekt continuarão sendo lançados na GOG.

Existe um tratado de distribuição assinado.
A separação é administrativa, não ideológica.

Porquê disse Michał Nowakowski, a GOG está em “boas mãos”.

E, pela primeira vez em muito tempo, isso não soa uma vez que frase de RP.

Leitura RumbleTech: isso é sobre preservação

Do ponto de vista retrogamer, essa venda é quase poética.

A GOG sempre foi:

  • o lugar onde jogos velhos não morrem

  • onde títulos esquecidos ganham patch, compatibilidade e carinho

  • onde PC gaming lembra que já existia antes de launcher virar rede social

Num mundo onde:

  • lojas fecham

  • jogos somem

  • licenças expiram

  • servidores desligam

Ter uma plataforma tal qual protótipo gira em torno de preservação e posse é mais importante do que nunca.

Mercado atual x filosofia antiga (e melhor)

Vamos ser honestos:
A GOG nunca competiu em números com Steam ou Epic.

Mas ela compete em alguma coisa mais vasqueiro:
👉 conformidade.

Ela não tenta ser tudo pra todo mundo.
Ela tenta ser correta com quem se importa.

E isso, curiosamente, é muito mais “PC raiz” do que qualquer benchmark de ray tracing.

Mensagem do Master Racer 🏁

A venda da GOG não é o término de uma era.
É a tentativa de salvá-la.

Separar a loja do gigante AAA pode ser exatamente o que ela precisava para:

  • manter seus princípios

  • fugir de decisões corporativas vazias

  • continuar sendo o último bastião do “comprei, é meu”

Num mercado onde o porvir parece cada vez mais alugado,
a GOG continua apostando no pretérito —
e, ironicamente, isso pode ser o movimento mais futurista de todos.

Agora, se me dá licença, vou ali subtrair um clássico sem DRM, só porque posso. 💾🖥️



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