Chuck Norris morreu: todos os jogos do ator em videogames

Chuck Norris morreu: todos os jogos do ator em videogames

8 minutos 20/03/2026

Descanse em sossego, Chuck Norris: o varão que ensinou uma geração inteira a não ter susto do escuro e ainda teve tempo de chegar em videogame

Hoje, 20 de março de 2026, o RUMBLETECH para tudo. E olha que eu tenho muito o que fazer, tenho texto pra ortografar, tenho jogo pra jogar, tenho opinião poderoso sobre várias coisas, mas hoje eu paro, sento, e escrevo sobre o varão que moldou minha puerícia de um jeito que nenhuma terapia conseguiria explicar adequadamente. Chuck Norris morreu aos 86 anos, na quinta-feira dia 19, no Havaí.

A família confirmou nas redes, pediu privacidade, disse que ele estava rodeado de quem amava e em sossego. E eu preciso crer que é verdade, porque a escolha é permitir que até o Chuck Norris um dia tem que ir, e isso ainda tá sendo processado cá dentro. Carlos Ray Norris. Fruto de Oklahoma. Veterano da Força Aérea. Vencedor de karatê. Rosto que brigou com Bruce Lee numa tela de cinema em 1972 e saiu da cena porquê uma das maiores promessas de Hollywood. O varão que as redes de TV passava nas tardes de sábado quando eu era muchacho e que fazia meu pai largar o controle remoto toda vez que aparecia na tela, porque nenhuma negociação doméstica conseguia mudar o ducto quando o Braddock estava entrando na floresta com um bazooka.

A obra de um varão que definiu o que era ser durão antes de durão virar clichê

Antes de falar dos jogos, preciso falar dos filmes, porque sem os filmes os jogos não existiam. E os filmes do Chuck Norris eram de uma categoria que não existe mais da mesma forma: ação pura, sem ironia, sem desconstrução pós-moderna, sem personagens que questionam se deveriam estar fazendo aquilo. O Coronel James Braddock de Braddock: O Super Comando (1984), que no Brasil virou Sumido em Combate para as pessoas mais sérias e Braddock para o povo do SBT, não tinha incerteza existencial nenhuma. Ele sabia o que tinha que fazer, ia fazer, e o Vietnam inteiro não era contendedor suficiente para parar um varão americano com crença suficiente e um M60 nos braços. Era propaganda? Provavelmente. Era eficiente porquê entretenimento? Absolutamente. Eu tinha oito anos e achava que o Braddock era o ponto mais cimeira da evolução humana.

Depois veio Invasão U.S.A. (1985) com o Matt Hunter, onde um varão sozinho defendia os Estados Unidos de uma invasão terrorista ao longo de um término de semana. Existencialmente improvável. Emocionalmente satisfatório. A Força Delta (1986) com o Major Scott McCoy foi o próximo, e aí o Chuck já estava em modo franquia completo: personagem recorrente, ação escalada ao supremo, cenas de explosão que deixavam as crianças de boca ocasião e os pais de olho no relógio preocupados. E depois veio Walker, Texas Ringir na televisão, de 1993 a 2001, que no Brasil ficou espargido porquê O Varão da Lei e foi o programa que fez o SBT sobreviver muitos almoços de domingo. O Walker era simples: Texas Ringir com golpes de karatê resolve crimes, bota bandido na ergástulo, às vezes faz uma prelecção de moral no final. Era perfeito. Não tinha zero de falso naquilo.

Chuck Norris e os videogames: do Commodore 64 ao PlayStation 5

Agora chegamos ao que realmente importa para o GameHall: a relação do varão com os videogames, que durou exatos quarenta anos e passou por praticamente todas as plataformas relevantes da história do medium. Sim, quarenta anos. Do Atari 2600 ao PlayStation 5. Poucos atores de ação conseguem proferir o mesmo.

O primórdio foi em 1984, o mesmo ano de Braddock, com Chuck Norris Superkicks, produzido pela Xonox para Commodore 64, VIC-20, Atari 2600 e ColecoVision. Era um jogo de ação com scroll vertical onde você controlava o próprio Chuck numa missão para chegar a um monastério dentro de seis minutos e resgatar um líder mantido refém. Guerreiros apareciam no caminho e precisavam ser derrubados num combate onde enfrentava três inimigos por vez, cada um correndo de um lado para outro jogando shuriken. Era o tipo de jogo que pela descrição parecia incrível e pela realização era… muito, era 1984. A revista AllGame chamou de experiência irregular e às vezes risível, mas o contexto importa: era o Chuck Norris num videogame, o que por si só era validação cultural máxima para qualquer muchacho da idade. Quando o jogo perdeu a licença do nome anos depois, foi relançado porquê Kung Fu Superkicks e Super Kung Fu, o que é a prova definitiva de que sem o Chuck o resultado ficava sem propósito.

Em 2008, a Gameloft lançou Chuck Norris: Bring on the Pain, um beat ’em up side-scrolling para celular inspirado nos famosos fatos do Chuck Norris que viralizaram no início dos anos 2000 na internet. Para quem não viveu aquele momento específico da cultura online: existia um fenômeno de humor onde pessoas inventavam “fatos” absurdos sobre o Chuck Norris que brincavam com sua imagem de invencível, do tipo “quando Chuck Norris entra numa sala, o susto sente susto”. O jogo abraçou isso completamente: uma das mecânicas envolvia derrubar helicópteros apontando o dedo e gritando BANG. Era o Chuck Norris interpretando o mito que se tornou a partir do Chuck Norris real. Existencialmente complicado. Mecanicamente jocoso para um celular de 2008.

Em 2017, o mobile recebeu Nonstop Chuck Norris, um hack’n’slash de ondas infinitas de inimigos com movimentos especiais baseados nos filmes. O clicker/idle game era basicamente um ciclo de matar inimigos, lucrar upgrades, matar mais inimigos em velocidade cada vez maior. Não era literalmente o jogo mais sofisticado que existia, mas era competente no que prometia e tinha o charme de ver o sprite do Chuck desferindo chutes giratórios em hordas infinitas de capangas enquanto números de dano flutuavam por toda a tela. Era o type de jogo que você abre no ônibus e fecha vinte minutos depois sem sentir que perdeu o tempo.

E logo chegamos a 2023 e ao capítulo mais improvável desta história: Transgressão Boss: Rockay City, um FPS cooperativo desenvolvido pela Ingame Studios e publicado pela 505 Games, ambientado na Florida dos anos 1990 com inspiração explícita em Heat e Miami Vice. O cast do jogo era de dar vertigem: Michael Madsen porquê protagonista Travis Baker, Danny Trejo, Danny Glover, Michael Rooker, Kim Basinger, Vanilla Ice. E o Chuck Norris porquê o Xerife, o opositor principal. A teoria de ter o varão que passou décadas sendo o herói de ação encarnando o xerife corrupto numa cidade de criminosos dos anos 90 tinha uma elegância narrativa que transcendia a qualidade do jogo em si, e a qualidade do jogo em si era, vamos proferir, irregular. A versão PS5 ficou com score horroroso no Metacritic. Mas o Chuck Norris estava lá, com a voz e a presença de sempre, e isso significava que em 2023 ainda era verosímil sentar num computador moderno e ouvir o varão do SBT das tardes de sábado.

Esse foi o último jogo com participação confirmada do ator. Do Commodore 64 de 1984 ao PlayStation 5 de 2023: quatro décadas de presença nos videogames, em plataformas que mal existiam quando ele começou a curso no cinema. Poucos atores de qualquer geração conseguem proferir isso.

Os fatos do Chuck Norris e a internet que o eternizou de um jeito dissemelhante

Uma coisa importante sobre o legado do Chuck Norris que qualquer pessoa honesta precisa reconhecer: ele teve duas vidas culturais completamente separadas, e a segunda foi tão significativa quanto a primeira. A primeira foi a dos filmes dos anos 80 e da televisão dos anos 90. A segunda foi a dos memes do início dos anos 2000, quando a internet jovem descobriu que a melhor forma de homenagear um ícone de ação era inventar hipérboles absurdas sobre suas habilidades físicas. “Chuck Norris não faz flexão, ele empurra a Terreno para reles.” “Chuck Norris contou até o infinito. Duas vezes.” O próprio Chuck abraçou isso com uma perdão que não era óbvia: apareceu em eventos, participou de paródias, interpretou a si mesmo em séries. Quando apareceu em Os Mercenários 2 (2012) ao lado de Stallone, Schwarzenegger, Willis e Van Damme, o vértice cultural foi o personagem dele sendo apresentado porquê “Booker” e alguém na cena fazendo uma piada de “indumentária do Chuck Norris” em voz subida. Ele ria. A plateia ria. Era a meta-consciência funcionando em mercê de todos.

Completou 86 anos em 10 de março de 2026 e publicou um vídeo treinando boxe para comemorar, com a legenda “Eu não envelheço. Eu evoluo.” Dez dias depois estava internado no Havaí. E hoje a família confirmou o que ninguém queria ouvir. A motivo não foi divulgada e a família pediu privacidade, e o RUMBLETECH respeita isso completamente.

O que fica

Fica o Braddock entrando no Vietnam com a preceito de um varão que não recebeu o memorando de que aquilo era impossível. Fica o Walker Walker colocando bandido na ergástulo com um pontapé rotatório enquanto uma música country tocava ao fundo. Fica o meme que fez uma novidade geração saber o nome antes de testemunhar aos filmes. Fica o Xerife Norris apontando o dedo para o Travis Baker de Michael Madsen numa cidade virtual dos anos 90. Fica o sprite pixelado de 1984 no Commodore 64 correndo em direção a um monastério com seis minutos no relógio. Fica a memória afetiva de uma geração inteira de crianças brasileiras que aprendeu que sábado de tarde com o SBT era uma forma de cinema. Descanse em sossego, Chuck. Você foi real de um jeito que poucos conseguem ser.

Os jogos de Chuck Norris em ordem cronológica

Chuck Norris Superkicks (1984) – Xonox. Commodore 64, Atari 2600, VIC-20 e ColecoVision. Beat ’em up com scroll vertical. O primeiro. O clássico pixelado que poucos jogaram mas todos fingem que jogaram.

Chuck Norris: Bring on the Pain (2008) – Gameloft. Mobile. Side-scrolling beat ’em up fundamentado nos fatos do Chuck Norris da internet. Incluía a mecânica de derrubar helicóptero apontando o dedo.

Nonstop Chuck Norris (2017) – Mobile. Hack’n’slash idle/clicker de ondas infinitas com movimentos especiais baseados nos filmes.

Transgressão Boss: Rockay City (2023) – Ingame Studios / 505 Games. PC, PS5, Xbox Series. FPS cooperativo ambientado na Florida dos anos 90. Chuck Norris porquê o Xerife opositor ao lado de Michael Madsen, Danny Trejo, Danny Glover, Vanilla Ice e outros. Último trabalho confirmado do ator em videogame.

Fonte

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