Constance é um metroidvania fofo e emocionalmente intenso

Constance é um metroidvania fofo e emocionalmente intenso

5 minutos 15/12/2025

✨ MAGALI ‘PIXEL’ SUSANA SENTADA NO CHÃO, COM PINCEL SUJO DE TINTA, PERNAS CRUZADAS E O CORAÇÃO UM POUCO APERTADO ✨ (sabe aquele silêncio confortável que parece amplexo? portanto. é esse.)

Eu comecei Constance achando que seria “só” mais um metroidvania bonito, desses que a gente joga pensando “ai que arte linda” enquanto pula, bate e coleta habilidades novas. Mas Constance não é esse tipo de jogo que fica só na superfície. Ele é daqueles que chegam mansinho, com cores suaves e personagens desenhados à mão, e quando você percebe… ele está falando de exaustão, pânico, cobrança e saúde mental. E isso, meus amores, pega.

Desenvolvido pela btf, Constance é um jogo 2D de ação e exploração onde você controla uma artista presa dentro da própria mente. Literalmente. O mundo que você explora é um revérbero direto do estado emocional da protagonista, e tudo — absolutamente tudo — parece ter sido pensado para conversar com esse tema. Não de forma pesada ou agressiva, mas daquele jeito fofo que dói mais, porque a gente se reconhece.

🖌️ Quem é Constance (e por que ela parece tão real)

Constance é uma artista. E só isso já diz muita coisa. Ela vive cercada por expectativas, inseguranças e aquela sensação estável de que nunca é boa o suficiente — um pouco que qualquer pessoa criativa vai reconhecer na hora. O jogo não joga um texto enorme na sua faceta explicando isso. Ele mostra. Em fragmentos. Em memórias. Em cenários que parecem lindos… mas estão se desfazendo.

A história é contada de forma delicada, quase tímida. Você vai encontrando lembranças, diálogos curtos, símbolos. Zero é mastigado. Constance confia que você vai sentir. E sente mesmo.

Se Sideral falou sobre sofreguidão e autossabotagem com uma serra, Constance fala sobre burnout criativo com tinta escorrendo pelas paredes.

🌈 Um mundo que parece estampa de caderno (e isso é um hosana enorme)

Visualmente, Constance é um carinho. Tudo é desenhado à mão, com traços que parecem ter saído direto de um sketchbook. Os cenários são coloridos, mas não vibrantes demais. Eles têm uma formosura meio melancólica, porquê uma aquarela deixada secando tempo demais.

Cada dimensão representa um pedaço dissemelhante da mente da protagonista. Algumas são calmas, quase acolhedoras. Outras são confusas, cheias de obstáculos, inimigos estranhos e caminhos quebrados. É porquê andejar por emoções — literalmente.

Eu me peguei várias vezes parando de jogar só pra olhar o cenário e pensar:
“ok… isso cá tá bonito demais pra eu transpor correndo”.

🧠 Metroidvania do jeitinho que a gente gosta (mas com pincel)

Sim, Constance é um metroidvania clássico na estrutura. Você explora, desbloqueia habilidades, volta para áreas antigas e encontra novos caminhos. A diferença é que cá tudo gira em torno de um pincel.

O pincel é sua arma, sua utensílio e quase uma extensão da própria Constance. Você ataca, se movimenta e interage com o mundo usando tinta. Em alguns momentos, você literalmente vira tinta para terçar paredes, pisos ou obstáculos. É uma mecânica simples, mas muito muito integrada à identidade do jogo.

Não é inovador no sentido “isso nunca foi feito”, mas é criativo o suficiente para parecer fresco. E, principalmente, faz sentido dentro da narrativa. Zero cá parece posto só porque é lítico — tudo conversa com o tema meão.

⚔️ Combate que não quer te humilhar (mas também não pega ligeiro)

O combate em Constance é competente e honesto. Não é um soulslike cruel, mas também não é um passeio no parque. Os inimigos têm padrões claros, os chefes exigem atenção e o jogo pede precisão — principalmente nas partes de plataforma.

O que eu gostei é que ele nunca parece injusto. Quando você morre, geralmente sabe o motivo. E isso tira um pouco daquela frustração pesada que alguns metroidvanias causam.

Existe também um sistema que mexe com a morte e as consequências dela, mas sem entrar em spoilers: o jogo te faz escolher entre proceder com mais dificuldade ou recuar com mais segurança. E, de novo, isso conversa lindamente com o tema emocional da história. Às vezes teimar machuca. Às vezes recuar é necessário.

🎵 Trilha sonora que parece amplexo soturno

A música de Constance é daquelas que não tentam roubar atenção, mas ficam ali, segurando sua mão. É suave, melancólica, às vezes um pouco triste, às vezes esperançosa.

Ela acompanha o ritmo do jogo perfeitamente. Em momentos mais tensos, ela cresce. Em momentos de exploração, ela quase desaparece. É o tipo de trilha que você vai lembrar depois, sem saber exatamente por quê.

E isso, pra mim, é sempre sinal de um pouco muito feito.

🧩 Explorar cá não é só pegar upgrade — é entender sentimentos

Explorar em Constance não é só sobre encontrar áreas secretas ou itens escondidos. É sobre entender o que aquele lugar representa. Cada bioma parece ter uma função emocional.

Tem áreas que passam sensação de bloqueio criativo. Outras parecem nostalgia. Algumas são confusas, labirínticas, quase sufocantes. O planta nem sempre é perfeito, e sim, às vezes dá uma ligeiro irritada — mas curiosamente isso combina com a proposta. Nem sempre a mente é clara.

Eu gostei muito de porquê o jogo respeita o tempo do jogador. Ele não te apressa. Ele deixa você errar, explorar, voltar, respirar.

💭 Magali sendo honesta: esse jogo dói de um jeito bom

Constance é aquele tipo de jogo que não vai deleitar todo mundo. Se você procura ação estável, combate intenso e adrenalina, talvez ele pareça lento demais. Mas se você gosta de jogos que falam com você… aí ele acerta em pleno.

Porquê pessoa criativa, eu me vi muito ali. Na cobrança interna. No pânico de falhar. Na sensação de que tudo está bonito por fora, mas cansado por dentro. E quando um jogo consegue fazer isso sem ser panfletário, sem jogar texto explicativo na sua faceta… é porque tem um pouco próprio acontecendo.

🌸 Comparações que fazem sentido (e aquecem o coração)

Enquanto jogava, pensei várias vezes em:

  • Celeste, pela abordagem emocional

  • Hollow Knight, pela estrutura metroidvania

  • Spiritfarer, pela sensibilidade

  • Gris, pela arte e simbolismo

  • Inside, pela narrativa visual

Mas Constance não copia nenhum deles. Ele pega inspirações e transforma em um pouco próprio, frágil e muito humano.

Prós:

  • Direção de arte desenhada à mão linda e enxurrada de personalidade
  • Mecânicas criativas que fazem sentido narrativo
  • Abordagem sensível e respeitosa sobre saúde mental
  • Trilha sonora delicada e emocional
  • Mundo simbólico que convida à reflexão

Contras:

  • Planta pode confundir em alguns momentos
  • Ritmo mais lento pode distanciar quem prefere ação estável
  • Alguns picos de dificuldade podem frustrar jogadores menos pacientes

Nota Final: 7/10

💖 Epílogo: não é só um jogo bonito — é um jogo sincero. Constance é fofo. É bonito. É muito feito. Mas, supra de tudo, ele é honesto. Ele não tenta ser maior do que é. Não tenta ser revolucionário. Ele só quer racontar uma história sensível usando jogabilidade, arte e música. E consegue. É um jogo para jogar com calma. Sem pressa. Talvez até em dias em que você também esteja um pouco cansada do mundo.

Fonte

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