Início » Darwin’s Paradox! Review: boas ideias, mas execução decepciona

Com lançamento marcado para o dia 2 de abril para PC, PlayStation 5 e Xbox Series, Darwin’s Paradox! chega com uma proposta curiosa. Um jogo de plataforma protagonizado por um polvo, com mecânicas diferentes e uma pegada que mistura exploração, puzzle e sobrevivência. Na teoria, isso já labareda atenção. Na prática, infelizmente, a experiência não sustenta tudo o que poderia entregar.
Uma das coisas que mais chamou a atenção do público e a minha também, é o indumento de a Konami estar publicando o game. A produção é do ZDT Studio, que com essa parceira, conseguiu sublevar a expectativa para o jogo. Mas será que eles conseguem entregar o que a gente ficou esperando? E neste review, mais especificamente, o que eu estava esperando?

A premissa de Darwin’s Paradox! é simples, mas funcional. Controlamos Darwin, um polvo que acaba sendo abduzido junto de outros elementos do planeta por alienígenas e precisa encontrar uma forma de sobreviver e, eventualmente, voltar para mansão. O problema é que o jogo não sabe muito muito porquê recontar essa história. São poucas cenas, alguma coisa em torno de 15 minutos ao longo de toda a campanha, que dura entre 5 e 8 horas (tudo vai depender do quanto você explora). Muitos concluem o game com muito menos tempo, no entanto. Isso faz com que a narrativa pareça rasa e pouco envolvente, mesmo tendo elementos interessantes no fundo.
Existe um universo ali, com ideias curiosas envolvendo alienígenas, experimentos e até uma sátira indireta, mas tudo fica escondido em textos e pequenos registros espalhados pelo cenário. Falta direção. Falta impacto. E principalmente, falta ritmo para fazer o jogador se importar de verdade.


O coração do jogo está no gameplay, e cá Darwin’s Paradox! apresenta suas melhores ideias, mas também seus maiores problemas. Darwin não é um personagem de combate. Ele não enfrenta os inimigos. Ele foge. E isso define toda a experiência. O jogo gira em torno de evitar perigos, resolver pequenos puzzles e entender porquê prosseguir nos cenários. Eu palato de games que usam essa premissa, mas tudo precisa funcionar muito muito para não perder o ritmo.
Dentro da chuva, o polvo ganha velocidade e mobilidade, criando momentos mais dinâmicos. Fora dela, ele se movimenta grudando em superfícies, explorando o envolvente de forma mais lenta e estratégica. Essa dualidade funciona muito no papel e em vários momentos também na prática.
O problema é que o jogo é excessivamente simples. As mecânicas são limitadas e, pior, o jogo apresenta habilidades logo no início para depois tirá-las, exclusivamente para reapresentá-las mais tarde. Isso quebra o ritmo e pretexto uma sensação estranha de progressão sintético.


Se tem um ponto que merece destaque positivo é o level design. Em diversos momentos, Darwin’s Paradox! consegue fabricar situações interessantes, exigindo reparo e raciocínio para prosseguir. Existem caminhos alternativos, segredos e áreas opcionais que incentivam a exploração. Porém, tudo isso esbarra em um problema sério, a escassez de um planta.
Sem qualquer tipo de orientação clara, é muito geral o jogador se perder ou seguir por um caminho que parecia opcional, mas na verdade era o principal. Isso quebra a exploração e gera frustração, mormente quando não é verosímil voltar facilmente para áreas anteriores. O resultado é um jogo que tem boas ideias de design, mas que não consegue guiar o jogador da melhor forma. Muitas vezes isso é de propósito, e eu acho que cá também é. Porém, precisa funcionar e eu acho que neste game fica um pouco extenuante.


Visualmente, Darwin’s Paradox! labareda atenção em alguns momentos. O design do personagem é carismático, e o uso dos olhos do Darwin é inteligente para transmitir frase mesmo sem diálogos. Alguns cenários são muito construídos, principalmente os mais abertos ou com identidade visual mais possante. No entanto, ambientes fechados tendem a ser simples demais, o que gera uma inconsistência visual ao longo da jornada.
Já a trilha sonora é um dos pontos mais problemáticos. Em vários momentos, mormente no início, as músicas são lentas demais e acabam deixando a experiência arrastada. Jogando à noite, isso fica ainda mais evidente, ao ponto de incomodar. Eu ficava com sono muito fácil jogando o game. Mais para frente, o jogo melhora nesse vista, mas a primeira sensação já deixa uma marca negativa difícil de ignorar.


Mesmo sendo um jogo visualmente simples, Darwin’s Paradox! apresenta problemas técnicos. Rodando em uma RTX 5080 com tudo no supremo, o jogo apresentou quedas de desempenho e stuttering frequentes. Ajustes de solução e configurações não resolveram completamente o problema.
Para um jogo desse porte, esse tipo de instabilidade não deveria suceder. E isso acaba impactando a experiência, mormente em um gênero que depende de precisão e controle. Não chega a ser tão grave, mas está presente.


No término das contas, Darwin’s Paradox! é um jogo que tem boas ideias, mas não consegue evoluí-las. A simplicidade excessiva, combinada com uma narrativa fraca, trilha sonora inconsistente e problemas técnicos, faz com que a experiência se torne cansativa com o tempo. Existe um charme inicial, uma curiosidade que prende nas primeiras horas, mas isso não se sustenta até o final.
Para quem procura alguma coisa mais ligeiro ou sente falta de jogos nesse estilo, pode valer a pena. Mas para quem espera alguma coisa mais elaborado ou marcante, a sensação pode ser ruim.
Darwin’s Paradox! tinha potencial para ser uma surpresa positiva, principalmente pela proposta dissemelhante e pelo personagem carismático. No entanto, a realização não acompanha a teoria. É um jogo que passa, que até tem seus momentos, mas que dificilmente fica na memória. Faltou sede, faltou refinamento e, principalmente, faltou transformar boas ideias em alguma coisa realmente envolvente.
É tudo isso mesmo?:
Darwin’s Paradox! apresenta uma proposta criativa com gameplay focado em fuga e puzzles, mas sofre com narrativa rasa, ritmo inconsistente e problemas técnicos. Apesar de bons momentos no level design, a experiência não sustenta seu potencial ao longo da jornada.
– M@xpay
von 10
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