Earnest Evans Collection revive clássicos do Sega CD

Earnest Evans Collection revive clássicos do Sega CD

4 minutos 14/01/2026

Earnest Evans Collection chega em janeiro — direto da era do Sega CD pra dar lição de história…

Se você viveu a era do Sega CD, sentiu o cheiro de plástico de caixa grande e ouviu aquele loading bar rodando enquanto a trilha sonora tocava em qualidade de CD, portanto senta aí, porque isso cá é papo de tiozão que sabe das coisas. A Limited Run Games anunciou que Earnest Evans Collection chega no dia 16 de janeiro para PC, PlayStation 4, PlayStation 5 e Switch. E sim, isso é basicamente transfixar um portal direto pros anos 90 e gritar: “isso cá era videogame, molecada”.

Essa coletânea não é qualquer coisa não. Estamos falando de Earnest Evans, El Viento e Annet Returns, três jogos que saíram da mente da lendária Wolf Team, estúdio que mais tarde viraria uma das bases da série Tales of. Ou seja: antes de JRPG bonitinho, anime e combo de magia, esses caras já estavam fazendo jogo estranho, difícil e estiloso quando a indústria ainda estava aprendendo a caminhar.

A Wolf Team: quando originalidade vinha antes do marketing

A Wolf Team era aquele tipo de estúdio que hoje não passaria na primeira reunião de publisher. Ideias malucas, protagonistas improváveis, narrativa exagerada e gameplay que às vezes parecia estar brigando com o controle. Mas era autoral, era ousado e, supra de tudo, tinha identidade.

Earnest Evans foi um daqueles jogos que a gente alugava achando que ia ser um Indiana Jones genérico… e devolvia confuso, mas intrigado. O personagem se mexe de um jeito estranho, os pulos parecem desengonçados, mas tudo aquilo fazia segmento de uma tentativa real de trazer cinematografia pro videogame, coisa que o Sega CD prometia no marketing e poucos jogos realmente tentavam.

El Viento era outro nível. Rápido, hostil, com uma protagonista feminina poderoso antes disso virar taxa de Twitter, rodando liso no Mega Drive, mostrando que dava pra fazer ação de qualidade sem precisar de CD. E Annet Returns fechava a trilogia com aquela vibe meio anime sobrenatural, enxurrada de drama, ocultismo e excesso narrativo típico do Japão dos anos 90.

História maluca? Simples que tem — e a gente adorava

A coletânea talinga tudo numa trama que mistura Al Capone, ocultismo, deuses antigos uma vez que Hastur, organizações malignas tipo NeXesis e vilões com nomes que parecem saídos de um álbum de power metal, uma vez que Siegfried Munchausen. Isso cá não era pra fazer sentido — era pra ser heróico, exagerado e estiloso. E funcionava.

Hoje a galera reclama que jogo tem lore demais. Naquela idade, se tivesse texto piscando, trilha sonora dramática e personagem gritando nome de golpe, a gente aceitava feliz.

Anime de verdade, não filtro de Instagram

Um pormenor que merece saudação: as cenas animadas de Earnest Evans e Annet Returns foram feitas pela Madhouse. Sim, aquela Madhouse mesmo, de Trigun e Cardcaptor Sakura. Não é “estilo anime”, é anime de verdade, feito quando animação japonesa ainda tinha aquela estética crua, enxurrada de personalidade e zero preocupação em ser “limpinha”.

E a trilha sonora? Aí entra Motoi Sakuraba, um dos maiores nomes da história dos games. O faceta que depois faria Star Ocean, Valkyrie Profile e metade da identidade sonora da série Tales of já estava ali, mostrando serviço, enchendo o jogo de sintetizador, guitarra e drama.

O pacote moderno (porque ninguém merece suportar uma vez que em 1993)

A Limited Run Games não só jogou os ROMs num pacote e saiu correndo. A coletânea vem com:

  • Versões em cartucho e CD de Earnest Evans (sim, são diferentes)

  • Save state em qualquer lugar (milagre da tecnologia moderna)

  • Rewind pra desfazer erro — um tanto que teria salvado muitos controles arremessados na parede nos anos 90

Isso cá não apaga as esquisitices dos jogos, mas deixa a experiência mais amigável, sem tirar o charme original.

Isso cá não é pra todo mundo — e ainda muito

Vamos ser honestos: Earnest Evans Collection não é pra quem só joga coisa moderna, polida e enxurrada de tutorial. Isso cá é arqueologia gamer, é pra quem quer entender uma vez que a indústria chegou onde chegou. É pra quem viveu o Sega CD, pra quem leu revista importada, pra quem alugava jogo pelo nome da cobertura.

É estranho, é datado, é pleno de escolhas questionáveis — mas também é histórico, importante e pleno de personalidade, coisa que anda meio rara hoje em dia.

Quando e onde

  • Lançamento ocidental: 16 de janeiro

  • Plataformas: PC, PS4, PS5 e Switch

  • Edição física: pré-venda a partir de 23 de janeiro no site da Limited Run Games

Se você é daqueles que ainda defende o Sega CD na mesa do bar, mesmo sabendo que ele tinha mais promessa do que mercado… parabéns. Esse lançamento é pra você.

Fonte

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