Entrevista: Supercell, fala sobre o sucesso de Brawl Stars

Entrevista: Supercell, fala sobre o sucesso de Brawl Stars

4 minutos 14/10/2025
Foto: Matheus Santana

Um dos principais estandes da BGS deste ano foi o da Supercell, que levou ao evento um dos títulos mobile mais populares do mundo, Brawl Stars e Clash Royale. Com um público leal e uma comunidade brasileira extremamente ativa, o jogo segue crescendo mesmo posteriormente anos de lançamento. 

Para entender mais sobre porquê o estúdio mantém esse sucesso e o papel do Brasil nessa trajetória, conversamos com Daniel Medeiros, Community Manager da Supercell, que falou sobre o impacto dos jogadores brasileiros, os desafios de balanceamento e o horizonte do jogo.

Confira a entrevista:

GameHall: Porquê Community Manager, porquê você enxerga o papel da comunidade brasileira no desenvolvimento contínuo de Brawl Stars? Que tipo de feedback do Brasil costuma influenciar decisões de balanceamento, modos ou skins?

Daniel Medeiros: No caso do balanceamento, a gente costuma olhar de uma forma mais global. Apesar de os times brasileiros terem seus próprios estilos de jogo e estratégias, buscamos sempre uma visão mais ampla, porque o balanceamento afeta o jogo inteiro. Mas quando se trata de campanhas específicas, porquê a da Mina, que foi praticamente toda voltada para o Brasil, aí sim o feedback lugar é necessário. Ver se o público curtiu ou não curtiu é sempre importante.

Nessa campanha, os brasileiros adoraram, e mesmo quando o feedback é negativo, ele costuma ser construtivo. Quando é positivo, também é bom, pois ajuda a validar o que fizemos. É ótimo ver que a galera gostou da Mina. Sempre que fazemos alguma coisa localizado, o retorno da comunidade é fundamental para prometer que estamos no caminho manifesto para atingir o público que queremos.

GameHall: Em um cenário de mudanças frequentes — novos Brawlers, ajustes de balanceamento, Hypercharges, etc. — porquê vocês garantem que essas novidades não afastem jogadores casuais e, ao mesmo tempo, mantenham os veteranos engajados?

Daniel Medeiros: A gente sempre tenta fazer com que tudo seja o mais intuitivo provável. Por exemplo, o jogador não precisa necessariamente ler uma habilidade para entender o que ela faz. Mesmo quando lançamos novos Brawlers ou habilidades, o feedback visual e sonoro é necessário. Quando alguém usa uma Hypercharge ou ativa o Super, a ação precisa ser autoexplicativa.

Logo, tudo que fazemos — seja o impacto visual, o som ou a resposta do jogo — tem o objetivo de facilitar a compreensão, mormente para quem quer simplesmente jogar e se divertir, sem precisar ler descrições longas.

Foto: Matheus Santana
Foto: Matheus Santana

GameHall: Recentemente houve reajustes nos preços locais do jogo, seja por impostos ou variações cambiais. Porquê vocês comunicam essas decisões à comunidade para evitar frustrações e manter a transparência?

Daniel Medeiros: Sempre que há mudanças de preço, colocamos uma nota nos Release Notes informando que estamos realizando testes. Esses testes envolvem diferentes grupos e faixas de preço para deslindar qual valor é mais alcançável para os jogadores, mas que ainda seja viável para nós.

A teoria é encontrar um estabilidade: oferecer preços mais justos para o público brasiliano sem comprometer a sustentabilidade do jogo. Não queremos, por exemplo, reduzir o preço e perder 90% do lucro no país. O objetivo é que mais pessoas comprem, mantendo um preço alcançável e uma boa performance financeira.

Depois dos testes, comunicamos os resultados, e foi logo que chegamos ao padrão atual, que tem se mostrado melhor tanto para a comunidade quanto para o estúdio.

GameHall: O Map Maker e outras ferramentas de geração são muito pedidos pela comunidade, mormente no Brasil. Há planos para expandir essas ferramentas?

Daniel Medeiros: Esse é um tema que sempre queremos explorar mais, mas exige bastante tempo e recursos. O Map Maker, por exemplo, levou tapume de oito meses de desenvolvimento e ainda foi lançado em versão beta. Sabemos o potencial que ele tem, mas também precisamos lastrar o tempo gasto com a produção de novos conteúdos, porque a comunidade de Brawl Stars consome novidades o tempo todo — dissemelhante de jogos porquê Clash of Clans ou Clash Royale, que têm um público mais focado no núcleo do gameplay.

É uma questão de priorização. Vale mais a pena investir meses melhorando o Map Maker ou usar esse tempo para lançar novos Brawlers e colaborações? Todo o time tem vontade de expandir o Map Maker e até fabricar alguma coisa porquê um Game Maker, mas também entendemos que talvez Brawl Stars não precise ser um novo Roblox. Cada jogo tem seu próprio nicho, e precisamos respeitar isso.

GameHall: Qual é a estratégia da Supercell e do time de Brawl Stars para manter o jogo relevante e competitivo no Brasil, diante da concorrência de outros jogos mobile e do incremento dos e-sports?

Daniel Medeiros: Agora estamos realizando o Qualifier cá no Brasil, e isso mostra o quanto valorizamos a comunidade brasileira. Nosso foco é manter uma presença manente no país, mostrando que nos importamos com os jogadores daqui e queremos fortalecer não só o cenário competitivo, mas todo o ecossistema de Brawl Stars no Brasil. Essas são as ações que queremos continuar aplicando para fazer o jogo e sua comunidade crescerem ainda mais.

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