Mortal Sin é o pesadelo retrô que o PC merecia

Mortal Sin é o pesadelo retrô que o PC merecia

6 minutos 04/10/2025

🕹️ RumbleTech desenterra o roguelike mais suado, sangrento e CRT-friendly desde os tempos em que o “salvar jogo” era registrar senha no caderno do escola.

Colega… se você acha que já viu jogo difícil, é porque nunca tentou matar um demônio usando um teclado de borracha de TK90X enquanto a TV caixa de zangão véia da vó piscava igual farol de Fusca com problema de aterramento.

Mas relaxa, o tio Rumble tá cá pra te guiar por essa descida ao inferno do dedo chamada Mortal Sin, o roguelite de pancadaria que parece ter sido programado dentro de um disquete de 5¼ polegadas e ilustrado por um juvenil fã de Doom e Castlevania que aprendeu arte no PaintBrush do Windows 3.1.

⚔️ O inferno começa com uma gládio e muita dor

Você acorda num templo caindo aos pedaços, com uma gládio que parece saída de um tarega medieval e uma certeza na vida: tudo que se mexe vai tentar te matar.

Mortal Sin não tem conversa fiada, nem menu bonito, nem historinha dublada por ator de Hollywood.
Cá é raiz, meu colega. Você nasce, anda, leva susto, e morre — tudo na mesma run, geralmente em menos de três minutos.

E o combate? Ah, o combate…

É uma mistura de Dark Messiah of Might & Magic com Hexen e uma pitadinha de “vou perder o mouse de tanto clicar”. Você corta, chuta, defende, e no meio disso tudo, tenta arrancar a cabeça dos demônios antes que eles arranquem a sua.

O jogo te ensina rápido: Não basta matar. Tem que desmembrar.

Corta o braço, arranca a perna, decepa a cabeça, e só aí a pessoa morre de vez. É Dead Space versão VHS, com trilha sonora feita de ronco e metal rangendo.

💀 Um mundo que odeia você (e ainda ri disso)

Os mapas de Mortal Sin são dungeons aleatórias que parecem ter sido desenhadas num Atari com raiva.
Você começa num cenário gótico, com luz piscando e som envolvente de demônio fumando na escada, e pensa “ah, até que tá tranquilo”.

Dois minutos depois, o soalho abre e você cai numa sala enxurro de armadilhas, lâminas e monstros que se multiplicam mais rápido que disquete pirata na feira.

E quando você acha que entendeu a lógica, o jogo te mostra uma insídia novidade, um espinho novo, ou uma parede que explode só pra te lembrar que crédito é fraqueza.

O mais lícito é que o envolvente é seu maior inimigo e sua maior arma ao mesmo tempo. Tem insídia que mata o monstro, sim senhor. E poucas coisas dão tanto prazer quanto dar um pontapé no demônio e ver o infeliz voar pra dentro de uma trituradora. É tipo futebol de monstros, com física de 1994 e sangue de filme do Sam Raimi.

🧩 O sistema de loot e upgrades: suado e sem frescura

Não tem inventário complicado, nem tutorial pleno de pop-up.

Você achou um item novo?
Pega e o macróbio vai pro espaço.
Zero de permanecer comparando estatística com a lupa.
É o bom e velho “testa e vê se presta”.

O jogo ainda oferece três habilidades aleatórias a cada dois andares, no melhor estilo “slot machine do inferno”. Às vezes você pega uma benção divina que te trato e aumenta a força. Às vezes você ganha uma maldição que te deixa mais possante, mas te mata se espirrar.

E aí entra o tempero roguelike: duração. Sim, seu equipamento quebra. Tudo quebra.

Armas, armaduras, seu coração e sua esperança. Você pode descobrir poções de conserto, mas elas são raras uma vez que revista de código de MSX em mesa de jornal.

E quando o machado quebra no meio da luta contra o bicho que parece o interceptação de um touro com um ventilador possuído? Aí é só chorar e chutar até cansar.

🧠 Rijeza com cérebro — e punho de ferro

A jogabilidade de Mortal Sin é aquele tipo de coisa que separa o gamer “raiz” do “nutella”. Cá não tem checkpoint automático, não tem quicksave, e se quiser trespassar, adeus progresso.

Quer salvar? Anota no caderno, igual nos tempos do Phantis e do Thexder, e reza pro estabilizador não desligar.

A movimentação é pesada, propositalmente truncada — parece que o personagem carrega 20kg de compunção nas costas.

Mas é justamente isso que dá charme. Cada passo é um risco. Cada golpe é um pacto com a sorte. E cada acerto é uma micro-vitória que faz você querer atear um cigarro imaginário e gritar “é ISSO!” pra tela.

💡 Visual: o mal-parecido mais bonito que você já viu

Se você cresceu jogando no monitor CGA, vai entender o charme disso cá. Mortal Sin tem uma estética de pesadelo pintado com caneta esferográfica preta — tudo em preto, vermelho e amarelo queimado, uma vez que se o inferno tivesse virado tela de EGA.

O contraste é proposital: o cenário é desbotado, quase cinza, e os inimigos brilham em cores berrantes, uma vez que se alguém tivesse jogado tinta fluorescente num morto. É mal-parecido.

Mas é um mal-parecido de propósito. É a mesma vontade de quando você via o Doom rodando num 486 e pensava: “isso é real demais!”.

E o som, meu colega… Parece vinil arranhado de heavy metal tocando no fundo de um galeria pleno de gritos.
Um verdadeiro delícia auditivo pra quem trocou o “beep” do PC Speaker por uma Sound Blaster 16 em 1992.

🕹️ Gameplay raiz, sem tutorial nem massagem no ego

Não espere cutscene, vozinha explicando o lore, ou NPC te chamando de “herói”. O jogo te solta no mundo e diz: “se vira, vencedor.”

As primeiras runs são desastrosas. Você morre tentando transfixar um baú. Depois morre esmagado por uma parede. Aí morre de novo porque confundiu uma poção de trato com uma de veneno (sim, isso acontece).

Mas aos poucos, o cérebro aprende. Você pega o ritmo. O combate vira um balé grotesco entre cortes, chutes e gritos guturais, e de repente percebe que tá viciado.

Aquele sentimento de “só mais uma run” volta — igual quando você ficava horas tentando passar da terceira temporada de Green Beret no MSX, acreditando que agora ia.

🕯️ Clima de terror com espírito de fliperama

Mortal Sin é terrível, mas não porque tenta te traumatizar com jumpscare barato. Ele assusta porque te joga num mundo onde cada sombra pode te matar. E quando o susto vem — tipo uma boneca demoníaca aparecendo na sua rosto ou um enxame de morcegos cegando a tela — você não grita.

Você xinga.
E ri.
E xinga de novo.

É aquele terror dos anos 80: exagerado, variegado, sujo e jocoso. Porquê um filme do John Carpenter gravado numa fita Betamax.

Prós:

  • Combate visceral e satisfatório
  • Atmosfera old-school que parece saído de um VHS riscado
  • Arte suja e estilosa (modo CGA glorioso)
  • Dificuldade que separa os gamers dos turistas

Contras:

  • Falta de save pode irritar os fracos de coração
  • Runs curtas e repetitivas no prelúdios
  • Interface que parece manual de BASIC da Gradiente

Nota Final: 8/10

Mortal Sin é uma vez que se o Doom, o Dark Souls e o Golden Axe tivessem feito um fruto no laboratório de Frankenstein e jogado ele num monitor CRT de 14 polegadas. Ele é cruel, mal-parecido, pesado e deliciosamente brutal. Não tem firula, não tem tutorial, e se você piscar, perde o save. Mas é justamente por isso que é bom pra caramba. Esse é o tipo de jogo que lembra a gente por que começou a jogar: pelo duelo, pela frustração, e pelo prazer masoquista de finalmente passar daquela maldita sala enxurro de lâminas giratórias. Mortal Sin é o tipo de jogo que te dá raiva, orgulho e vontade de vincular o monitor CRT só pra sentir o cheiro da nostalgia queimando.

Fonte

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