Início » Neve – Análise – Vale a Pena – Review

O terror nos jogos, normalmente, é retratado na forma de monstros e jumpscares. Não à toa que monstros uma vez que o Dr. Salvador (Resident Evil 4) são tão marcantes e populares, pois suas personalidades grotescas transmitem hostilidade e, o mais importante, conseguem preocupar o jogador com uma sensação manente de transe. Mas, há mais formas de transformar a instabilidade em uma experiência genuína de terror, uma vez que explorar a vulnerabilidade do ser humano para com seus pares em uma situação inédita e urgente.
Essa é justamente a proposta de Neve, um jogo indie brasílico de façanha e visual novel com bons elementos de terror que conta a história da capitã da nave Argo, Jasmina, e sua tripulação, Hilas e Atalanta. Em síntese, Jasmina acorda presa em sua invólucro criogênica devido a queda da nave em um planeta incógnito e deve coordenar suas subordinadas para conseguir transpor da invólucro, consertar a nave e voltar para morada.
Porquê o próprio gênero já indica, o principal foco de Neve é a história e a narrativa misteriosa. Felizmente, a escrita da obra é madura e consegue tiranizar o jogador durante as duas horas de campanha que o jogo dura em média.
Entre os destaques, a relação entre as personagens é sem incerteza o ponto mais potente e que mais agrega valor à narrativa. Hilas é um estereótipo do que se imagina da geração Z atualmente, uma mulher ansiosa e inserida no mercado de trabalho onde deu para entrar porque a premência falou mais eminente. Ela tem uma relação bastante conflituosa com Atalanta, que é a mais velha e experiente das três com uma vasta experiência profissional e conhecimento invejável, ainda que todo esse talento venha sobrecarregado de preconceitos e teorias conspiracionistas. Jasmina acaba sendo um ponto de estabilidade interessante entre as três, não só porque ela é a capitã responsável pela segurança da equipe, mas também porque ela está na geração entre Hilas e Atalanta, o que cria um distanciamento interessante que a permite ouvir e mediar os diferentes pontos de vista com um viés menos tendencioso entre as partes ao mesmo tempo que lida com seus próprios conflitos e limitações.
Coligado às sobreviventes temos o que ninguém aguenta mais ter que mourejar com no dia a dia, uma IA de suporte que pode fazer muita coisa e, geralmente, zero que realmente ajude muito. Calias é um personagem que foi impulsionado pela veras na qual vivemos, pois desde que o Chat GPT, Gemini e outras IAs surgiram na vida cotidiana das pessoas nós passamos a ter uma visão mais completa dos problemas, limitações e, principalmente, das problemáticas que esse tipo de recurso tem a oferecer. O mais interessante é o papel que ele tem de simbolizar os interesses corporativos da Posidon e deixar evidente que tudo o que importa para a empresa é o que pode lhe trazer retornos ou prejuízos financeiros.

Em complemento ao ótimo elenco, o enredo é cativante do início ao termo e prende a atenção de quem joga. A situação urgente na qual Jasmina se encontra faz com que ela e o jogador tomem decisões impulsivas e que exigem astúcia para enxergar os possíveis desfechos que suas ações podem vir a ter. Por exemplo, você pode escolher pedir para Calias mais informações sobre o planeta ou, devido ao limitado tempo para salvar Jasmina ou simples desinteresse, pode deixar de solicitar essas informações. Mais tarde, ainda que esses dados em específico não tenham uma consequência diretamente vinculada a eles, a falta desse conhecimento no consciente de Jasmina pode vir a tornar um diálogo inacessível e, consequentemente, vai afetar a sua relação com a equipe. São essas pequenas nuances alocadas de forma inteligente que tornam a façanha cativante e contribuirem para que Neve seja uma experiência consistente.
Fechando as discussões sobre a história, acho válido primar uma vez que o jogo foca muito na sua mensagem sobre responsabilidade e liderança. Sobreviver nas condições que as personagens estão é muito reptante, e com uma equipe enxurrada de complicações entre si, logo, fica pior ainda. Mas o tempo todo nos é dada a oportunidade de pensar em quem ouvir e tomar a melhor decisão para o grupo ou para quem você tem interesse de proteger nesse grupo. Assim, fica a seu critério omitir informações ou mentir deliberadamente, tudo depende do quanto pesa na sua consciência o quanto você vai lesar ou ajudar, a depender do seu ponto de vista a saudação do objecto, cada uma daquelas pessoas.

Porquê foi dito previamente, Neve explora elementos de terror na vulnerabilidade humana em um contexto de emergência. O terror feminino cá é muito mais sutil e indireto que as metáforas de uma de suas inspirações, o filme clássico de terror Alien. Enquanto no clássico a indivíduo extraterrestre remetia a violência sexual e a um invasor hostil e celerado, cá temos uma rivalidade feminina acentuada pela suspeição e incerteza com vieses de violência de gênero marcado na fala e nos pensamentos de cada uma. Isso torna a suspeição e a instabilidade entre a equipe um elemento fundamental para a construção do terror, pois é nesses conflitos que existe margem para temer o que cada uma pode fazer a depender das decisões que Jasmina tomar.
Porém, em contraponto a rivalidade feminina, há bons momentos de descontração e amizade entre as três sobreviventes. Acho que é muito simbólico de uma vez que, apesar de tudo, elas ainda se importam umas com as outras e estão dispostas a colaborar para sobreviverem, e ao mesmo tempo auxilia muito na construção do terror porque cria uma zona de conforto necessária para desapoquentar a tensão e permitir que, posteriormente, se eleve novamente o temor iminente do incógnito.
Inclusive, outro paisagem interessante é uma vez que a empresa Posidon e a IA Calias são personas com associações ao masculino, enquanto quem toma risco e sofre nesse mundo são três mulheres que têm tudo a perder. Novamente, é um revérbero da sutileza da violência nas relações de gênero que permeiam e contribuem ativamente para o temor no mundo de Neve.

Infelizmente, Neve apresenta algumas inconsistências e falhas que comprometem de forma expressiva na experiência. A mais chata delas, ao meu ver, é a dificuldade de alguns puzzles baseados em completar imagens. Testei o jogo tanto no Steam Deck quanto no computador, e em ambos os casos foi muito complicado de identificar exatamente qual imagem que completa a figura uma vez que foi solicitada. A equipe acertou na dificuldade ao tornar o chuto inviável para resolver o puzzle devido ao eminente número de combinações possíveis, porém eu acho que as digitais e olhos não tinham marcações o suficiente para notabilizar quais combinariam com a imagem e quais não. Ao meu ver, poderiam fazer com quem fosse provável encaixar temporariamente a opção escolhida na imagem, tornando visualmente mais simples de identificar as diferenças entre as alternativas.
Em termos técnicos, no universal, o jogo funciona muito, porém ele não tem suporte à controles, o que pode distanciar alguns usuários que preferem jogar sempre no controle uma vez que é o meu caso. Ou por outra, as conquistas não estavam funcionando nas versões de deste, sendo cumpridos os requisitos de várias e sem desbloqueio tanto no Steam Deck quanto no desktop tradicional com windows. Também acho válido primar que o jogo não volta para o menu diretamente posteriormente os créditos.
Por termo, há uma última irregularidade que preciso mencionar, que é a possibilidade de suportar um softlock em qualquer momento do jogo. Ao menos foi o que aconteceu na gameplay feita no desktop, onde posteriormente um evento com Hilas a cena passava de volta para Jasmina com Calias e, ao tentar perfurar uma porta, os dados da IA corrompem e o jogo não segue em frente uma vez que deveria e já fez em outros casos que Calias apresentou falhas de funcionamento. Isto é, não parece ser segmento da história, e sim alguma irregularidade de programação que acaba não ativando o evento sequencial para esse segmento. Felizmente, esse foi o único problema que encontrei que impediu a progressão.

Neve sem dúvidas foi uma boa surpresa para 2026. O jogo faz jus a qualidade das suas inspirações e, principalmente no texto e nas personagens, entrega personalidade e constrói uma experiência consistente do início ao termo.
Mas, é complicado de calcular o potencial nocivo que os prejuízos das falhas técnicas podem fomentar na experiência. Não se trata de cobrar de Neve o polimento e sublimidade que se espera de um jogo de altíssimo orçamento, pois claramente não é o caso. O ponto é que os problemas presentes hoje são relevantes o bastante para que quem jogue corra o risco de ter uma quebra de submersão ou pico de frustração que manche o belo potencial que a história e escolhas de Neve tem a oferecer. Infelizmente, não tenho uma vez que olvidar que perdi uma personagem porque um puzzle não ficou evidente o suficiente para mim. E não acho que seja essa a experiência que o time de Neve pensou para o jogo.
Enfim, penso que Neve tem seu valor no mundo dos jogos e com certeza merece ser jogado por quem gosta de boas histórias, personagens femininas muito escritas e procura uma curta experiência de terror e mistério em um universo de ficção científica, mas é fundamental que se corrijam pelo menos as falhas mais problemáticas para prometer que a experiência será a melhor provável.
Review elaborado com chave para PC cedida pela Publisher.

Neve é um jogo indie brasílico de façanha em visual novel com elementos de terror e protagonismo feminino. O jogo se destaca pela relações interessantes entre a líder Jasmina e suas subordinadas, Hilas e Atalanta, que devem trabalhar juntas para entender o que fez sua nave desviar da rota, caindo em um planeta hostil e incógnito e encontrar uma forma segura de voltar para morada. Mas, o jogo apresenta algumas falhas técnicas, em próprio uma possibilidade de softlock e, a mais chata, a falta de intuitividade para resolver alguns puzzles.

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