Início » Nightmare Drive é o survival que realiza a fantasia de dirigir à noite

O survival de direção da Voidfiller coloca você detrás do volante no apocalipse zumbi, catando peças de dia e atropelando hordas de noite, numa fantasia synthwave divertida mas de loop repetitivo…
Quem nunca teve aquela fantasia? É noite, a estrada está vazia, os postes passam feito borrões amarelos pela janela, e você coloca o Kavinsky no talo, o Nightcall pulsando naquele sintetizador oitentista, e simplesmente dirige. Sem sorte, sem pressa, só você, o asfalto e a melancolia gostosa daquela batida. É a cena de franqueza do filme Drive, é a vibe synthwave que uma geração inteira aprendeu a amar. E cá eu preciso parar pra uma homenagem sentida: o Kavinsky, nome verdadeiro Vincent Belorgey, nos deixou agora em julho de 2026, aos cinquenta anos. Meus pêsames sinceros. E tem uma ironia poética cruel nisso, porque o personagem que ele criou pra si mesmo era justamente um motorista morto-vivo que voltou de um acidente infalível de Ferrari nos anos 80 pra fazer música. Ou seja, o rostro literalmente inventou a estética de encaminhar à noite entre os mortos. Logo o que aconteceria se, no meio dessa fantasia de estrada vazia e synthwave, do zero aparecessem zumbis? Pois é exatamente isso que o Nightmare Drive, da Voidfiller, entrega por vinte e oito reais. Joguei o entrada antecipado. Deixa eu descrever.
A premissa do Nightmare Drive é deliciosamente simples e certeira. O apocalipse não acabou com o mundo, só esvaziou as estradas. Você é um sobrevivente detrás do volante, e o seu sege é tudo o que você tem: é abrigo, é arma, é repositório, é sua última esperança de continuar vivo. A missão? Encaminhar por rodovias infinitas geradas proceduralmente, espiolhar peças no meio do caos pra edificar e melhorar seu veículo, e cruzar hordas gigantescas de zumbis atropelando cada um deles com a frente do sege. Dá pra jogar sozinho ou em cooperativo de até quatro jogadores, o que multiplica tanto o caos quanto a diversão.
O ciclo de dia e noite é o coração da coisa, e é cá que o jogo mostra a que veio. Durante o dia, você explora, vasculha estruturas abandonadas, posto de gasolina vazio, motel em ruínas, coleta motor, radiador, peça solta, mistura fluido, gerencia recurso, e prepara seu sege pra próxima temporada. Quando a meia-noite chega, a horda desperta. E aí a vibe muda completamente, de exploração tranquila pra sobrevivência pura, com uma volume de mortos-vivos vindo pra cima de você enquanto o motor ronca e o velocímetro sobe.
Vou ser direto sobre o que funciona: a hora que você começa a atropelar zumbi é genuinamente divertida pra caramba. Tem um tanto de catártico e primitivamente satisfatório em estugar contra uma horda e sentir o sege passar por cima, com aquela física que faz os corpos voarem. E o jogo tem umas mecânicas de física maluca que rendem momentos hilários. Um jogador relatou que tem uns monstros gigantes tipo caranguejo capazes de impelir o seu veículo centena metros pro eminente, e ele não sabia se era bug ou recurso proposital, só sabia que estava rindo. Esse tipo de comédia emergente, do caos que surge sozinho da física, é um dos maiores trunfos do jogo.
Você pode montar torreta no sege, blindar a lataria, transformar o veículo de uma carroça caindo aos pedaços numa máquina de guerra sobre rodas. A progressão de pegar um carango fraco, tossindo e sem gasolina, e ir aos poucos turbinando ele até virar um monstro do asfalto, tem aquele gancho gostoso de melhoria permanente. E teve gente descrevendo o jogo uma vez que estranhamente relaxante apesar de tecnicamente ser um jogo de terror, aquela vibe de só encaminhar por aí, consertar o sege e curtir o momento, tudo isso enquanto passa por cima de uma horda de mortos-vivos. É zen apocalíptico, e a verificação com aquela fantasia do Kavinsky dirigindo na noite faz todo sentido.
Agora o tiozão honesto precisa chegar, porque nem tudo são atropelamentos felizes. O maior problema do Nightmare Drive, e você mesmo já sentiu isso, é que o loop de jogo é meio chatinho depois de um tempo. A estrutura de dia e noite é boa na teoria, mas na prática você acaba repetindo o mesmo ciclo várias vezes: dirige, para, cata peça, conserta, dirige de novo, sobrevive à horda, repete. As primeiras horas empolgam pela novidade e pela diversão de atropelar, mas conforme você avança, aquela sensação de já vi isso começa a desancar, e a repetição corrói um pouco do prazer inicial.
Falta variedade pra sustentar o interesse no longo prazo. As rodovias procedurais, por mais infinitas que sejam, começam a parecer parecidas, e as tarefas de scavenging viram rotina em vez de proeza. É o tipo de problema que entrada antecipado pode e deve resolver com mais teor, mais tipos de inimigo, mais eventos, mais objetivos, mas no estado atual, o jogo brilha em sessões curtas e perde o gás nas longas. Vale muito manifestar que a Voidfiller está ativa, adicionando coisa novidade uma vez que veículos e um sistema de duração e reparo de peças que os jogadores pediram, o que é ótimo sinal de estúdio comprometido.
Assista o trailer clicando aqui.
A recepção no entrada antecipado é positiva e reflete muito essa dualidade de noção jocoso com realização ainda em construção, com o jogo mantendo avaliações Muito Positivas no Steam, girando em torno de 87% de aprovação, e os jogadores elogiando principalmente a satisfação de atropelar hordas, a física caótica que gera comédia involuntária e aquela vibe estranhamente relaxante de encaminhar e consertar o sege no termo do mundo, ao mesmo tempo em que apontam a repetição do loop e a premência de mais teor e variedade uma vez que as ressalvas naturais de um jogo em desenvolvimento, com o consenso universal de que a instalação é sólida e enxurrada de potencial contanto que a Voidfiller mantenha o ritmo de atualizações.
Nightmare Drive é uma daquelas ideias simples e certeiras que te fisgam pela fantasia. Pegar a estrada vazia à noite, colocar uma trilha synthwave de fundo, e transpor atropelando zumbi enquanto turbina o sege, é um noção que vende sozinho pra quem cresceu amando essa estética. E por vinte e oito reais, frequentemente em promoção por menos ainda, é uma aposta de grave risco pra quem curte survival com sege e não se importa de entrar num jogo ainda em construção. A diversão está genuinamente lá, principalmente nas primeiras horas e no cooperativo com amigos, onde o caos vira comédia compartilhada. O porém é a repetição do loop, que pede paciência e fé de que a Voidfiller vai continuar enchendo o jogo de teor novo pra sustentar o interesse. Minha recomendação: se a fantasia de encaminhar na noite apocalíptica atropelando mortos-vivos te empolgou em qualquer ponto desse texto, e você topa jogar em doses curtas enquanto o jogo cresce, vale a viagem. Se você quer um pacote fechado, polido e recheado, coloca na lista de desejos e volta daqui uns meses. E quando você vincular o jogo, faz um obséquio pra esse tiozão cá: coloca o Kavinsky de fundo e dirige uma volta em silêncio, em homenagem ao rostro que inventou a trilha sonora perfeita pra encaminhar entre os mortos. Ele merece.
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