Início » Pixel Arcadia estreia com Terranigma, Alien Breed e mais de 50 motivos para o retrogamer não se aposentar

Durante muito tempo, ser fã de jogo retrô significava desenvolver algumas habilidades específicas. Saber limpar cartucho com a técnica cientificamente comprovada do assopro. Ter uma televisão de tubo que pesava aproximadamente o mesmo que um Fiat Uno. Desvendar qual transformador não incendiaria seu console importado. E, principalmente, aprender a conviver com a possibilidade de que aquele jogo maravilhoso que você adorava simplesmente nunca mais seria relançado.
A indústria mudou. Para melhor em alguns aspectos, para pior em outros e para “R$ 349,90 na edição básica” em vários deles.
Mas a estreia do Pixel Arcadia: The Future of Retro, realizada nesta segunda-feira, 24 de agosto, mostrou uma coisa interessante: jogo retrô deixou de ser exclusivamente presente. Virou um segmento suficientemente grande para sustentar um evento próprio, com mais de 50 jogos, oito estreias mundiais, relançamentos, produções inéditas para consoles antigos e gente ressuscitando franquia que até poucos anos detrás parecia enterrada por baixo de seis metros de contrato de licenciamento.
E não começaram pequeno.
Tivemos Terranigma voltando depois de três décadas, a Commodore publicando Alien Breed novamente, Sanitarium escapando do sanatório, um jogo gratuito da Dotemu feito para transformar oito amigos em inimigos e até He-Man distribuindo bordoadas uma vez que se estivéssemos novamente sentados no solo da sala em 1987.
Isso, meus amigos, é falar a língua do velho.
Veja o showcase clicando aqui.
O Pixel Arcadia foi criado pela Pixel Helix e já nasceu com uma definição mais interessante de retrô do que aquela discussão interminável de internet sobre quando exatamente um videogame ganha autorização para entrar no asilo.
A própria organização considera, de maneira universal, a era anterior ao HD e à geração do PlayStation 3 e Xbox 360 uma vez que seu ponto de referência, mas o evento não ficou recluso a relançamentos. Entraram jogos inspirados em clássicos, remakes, novas continuações, produções para hardware vetusto e iniciativas de preservação. A organização também afirma que desenvolvedores não pagam para brotar no showcase e que os projetos são selecionados editorialmente.
Isso ajuda a explicar por que a apresentação teve um cheiro muito dissemelhante daqueles eventos nos quais você passa 20 minutos vendo cinco shooters indistinguíveis, três survival crafting e um sujeito dizendo “we are incredibly excited” antes de mostrar um logotipo.
Cá teve personalidade.
E teve Terranigma.
Se você viveu os 16 bits acompanhando RPG por revista, importação ou locadora, sabe que existem alguns nomes que parecem pertencer a uma categoria quase mitológica.
Terranigma é um deles.
Lançado originalmente em 1995 para Super Famicom e depois na Europa, o action RPG da Quintet nunca chegou oficialmente aos Estados Unidos e passou mais de 30 anos sem receber sequer um relançamento moderno. Enquanto Final Fantasy reapareceu em calculadora, torradeira e provavelmente em qualquer quadro de elevador, Terranigma continuava recluso ao cartucho.
Até agora.
A Clear River Games vai trazer o jogo de volta no início de 2027 para PS4, PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, Switch 2 e PC via Steam e GOG, sob licença da Square Enix. O projeto também envolve membros ligados ao original, incluindo o artista Kamui Fujiwara, além dos compositores Miyoko Kobayashi e Masanori Hikichi, que terão músicas rearranjadas para a novidade edição.
É difícil explicar para alguém que cresceu com lojas digitais por que isso é tão grande.
Terranigma era aquele tipo de jogo que você via numa material de quatro páginas, ficava hipnotizado pelas imagens e depois descobria que comprá-lo no Brasil exigiria quantia, contatos internacionais e provavelmente um pacto mercantil com alguma entidade obscura do bairro da Liberdade.
Agora vai estar no Steam.
A evolução humana realmente produziu coisas úteis.
No extremo oposto do “espere até 2027”, a Dotemu anunciou Blasterbug: Last Bug Standing! e basicamente disse: pode jogar agora.
E de perdão.
O jogo é uma homenagem descarada e completamente assumida aos multiplayer locais do primórdio dos anos 90, mormente Bomberman. Até oito jogadores podem entrar na redondel localmente, espalhar explosivos pelo cenário e desenredar em aproximadamente quatro minutos quais amizades eram realmente sólidas.
São 15 insetos jogáveis, cada um com características próprias, sprites 2D desenhados à mão e diferentes modos competitivos. A versão para PC foi lançada no próprio dia do evento gratuitamente no Steam.
Oito jogadores locais.
Em 2026.
Sem precisar formar esquadrão com “xXNarutoGamer420Xx” do outro lado do planeta.
Quase chorei.
A apresentação seguinte atingiu uma região ainda mais específica do cérebro de quem viveu microcomputadores no primórdio dos anos 90.
Alien Breed está de volta.
E tem outra segmento da frase que parece saída de uma traço temporal selecção: quem publica é a Commodore.
Alien Breed 35th Anniversary Collection reúne seis jogos da primeira tempo da franquia criada pela Team17, com desenvolvimento desta novidade coleção pela Antstream. Os títulos ganharão controles modernizados, suporte a twin stick, save states, melhorias de desempenho, opções de visual em 4:3 e 16:9, filtros CRT e material histórico reunido em arquivos interativos. Também entram cooperativo lugar e online, além dos novos Rush Mode e Horde Mode.
Para quem nunca jogou Alien Breed num Amiga, pense em ficção científica, corredores claustrofóbicos, munição limitada e criaturas querendo transformar seu personagem em iguaria de estação espacial.
Para quem jogou, basta expressar:
“Alien Breed.”
Pronto. Você já ouviu mentalmente o drive de disquete trabalhando.
O mais simbólico é a Commodore usar justamente um dos jogos mais associados ao Amiga para marcar seu retorno à publicação. É quase uma vez que se a Gradiente anunciasse amanhã um novo Top Game junto com Phantasy Star.
Não reclamaria.
Outro nome que parecia réprobo a viver eternamente dentro de listas de “10 adventures perturbadores que você precisa saber” foi Sanitarium.
O clássico de 1998 retorna uma vez que Sanitarium Enhanced, desenvolvido pela QUByte e DreamForge Intertainment e publicado pela Ziggurat Interactive.
A proposta cá não é colocar Max em Unreal Engine 7 com poros individualmente renderizados. Ainda muito.
A novidade edição mantém o jogo original e adiciona suporte a widescreen, controles completos por gamepad, modo opcional de dicas, otimizações para Steam Deck, ajuste de velocidade, correções de bugs e uma galeria com materiais inéditos da produção original. O lançamento acontece ainda em 2026 para PC, PS4, PS5, Xbox Series e Switch.
É o tipo de remasterização que paladar.
Arruma o encanamento, troca a fiação, coloca uma fechadura novidade.
Não derruba a vivenda.
Uma das coisas mais divertidas do Pixel Arcadia foi a privação daquele desespero moderno de fazer tudo parecer segmento da mesma tendência.
Ninja JaJaMaru: Yokai Night Parade, por exemplo, traz a velha série japonesa para um action RPG de pancadaria e loot, com mais de 300 equipamentos e hordas de yokai. Chega em 2027 para PS5, Switch 2 e PC.
Infested DX pega uma façanha originalmente lançada em 2018 e inspirada nos adventures de NES uma vez que Shadowgate, Uninvited e Déjà Vu e refaz tudo uma vez que se o projeto tivesse pulado para a geração 16 bits.
Theocracy, lançado originalmente em 2000 pela Philos Laboratories, também vai voltar ao PC pela SNEG. É uma mistura de estratégia em tempo real, construção e grande estratégia ambientada no México do século XV, colocando o jogador diante da futura invasão espanhola. A novidade edição está prevista para o último trimestre de 2026.
Sim, alguém em 2026 entrou numa reunião e falou:
“Vamos relançar Theocracy.”
Outra pessoa respondeu:
“Boa.”
E eu gostaria de comprar um moca para essas duas pessoas.
Também apareceu Ninja Baseball League-Man: Bases Loaded, revival do maravilhoso contraditório chamado originalmente de Ninja Baseball Bat Man.
Para quem nunca viu isso funcionando, o concepção é simples.
Ninjas.
Beisebol.
Beat ’em up.
Não faça perguntas.
A novidade versão da City Connection e Irem chega em 10 de dezembro para PS5, Xbox Series, Switch 2 e PC, com gráficos em HD, novos personagens, estágios, músicas, minigames e cooperativo para quatro jogadores. Durante o Pixel Arcadia foi revelada ainda uma tempo crossover com Bases Loaded, clássico esportivo da Jaleco.
É a prova de que certas ideias não precisam ser explicadas.
Precisam exclusivamente viver.
O Pixel Arcadia também mostrou gameplay estendido de He-Man and the Masters of the Universe: Dragon Pearl of Destruction, da Bitmap Bureau.
E cá meu cérebro de gaiato dos anos 80 começou a enunciar ruídos.
O jogo aposta em sprites enormes desenhados à mão e pancadaria cooperativa com He-Man, Teela e Man-At-Arms contra as forças do Esqueleto. O material apresentado mostrou boa segmento da primeira tempo, Palace of Eternos, incluindo o confronto contra Trap Jaw. A campanha terá 13 estágios.
Durante décadas, He-Man teve uma relação com videogames que podemos qualificar educadamente uma vez que “complicada”.
Ver um jogo moderno entendendo que Masters of the Universe combina perfeitamente com um beat ’em up de arcade é quase terapêutico.
Punhal.
Músculo.
Esqueleto levando soco.
Não precisava de um MBA para desenredar isso.
Essa talvez seja a segmento que melhor resume o estado atual da cena retrô.
Não estamos falando exclusivamente em preservar jogos antigos.
Tem gente fazendo jogo novo para console vetusto.
Phantom Gear, da Mega Cat Studios e Bits Rule, ganhou data para 12 de novembro no Steam e também em cartucho para Sega Genesis e Mega Drive.
Echoes of the Unread chega em 15 de outubro para PC e NES.
NES.
O console lançado no Japão em 1983.
Enquanto isso, tem aplicativo de celular dizendo que seu aparelho de três anos ficou velho demais para receber atualização.
Maravilhoso.
Entre os vários jogos que receberam novos trailers estava Pocket Bravery MD, projeto ligado à brasileira Statera Studio e Rheo Studio com a Big Uncle Games.
É particularmente permitido ver um projeto brasílico aparecendo num evento internacional devotado ao retrô porque nosso relacionamento com hardware vetusto sempre foi dissemelhante do resto do mundo.
Cá Mega Drive não virou relíquia em 1995. Master System se recusou a morrer. Fliperama conviveu durante anos com consoles muito mais novos. Clone, cartucho paralelo, locadora e mercado cinza fizeram segmento da nossa formação.
Em alguns lugares isso se labareda história dos videogames.
No Brasil a gente chamava de terça-feira.
A primeira edição também abriu espaço para projetos uma vez que Exobrave, Toxic Crusaders, The Transylvania Adventure of Simon Quest, Petal Runner, RogueCraft DX, Cathedral: Crow’s Curse, Aggelos 2, Hyper Sentinel Fusion e vários outros. O evento inteiro passou de 50 jogos e reuniu desde projetos independentes pequenos até nomes uma vez que Atari, MicroProse, Dotemu, Acclaim, Limited Run Games, Ziggurat e Clear River Games.
Talvez esse tenha sido o maior acerto do Pixel Arcadia.
O evento não tratou videogame vetusto uma vez que uma vitrine empoeirada onde todo mundo precisa falar grave.
Terranigma está voltando porque merece ser jogado.
Alien Breed está sendo modernizado porque ainda funciona.
Sanitarium está ganhando controles novos porque mouse de bolinha já cumpriu seu papel na história.
Blasterbug pega uma teoria de 30 anos detrás e transforma novamente uma sala enxurro de amigos num campo de guerra.
E ao mesmo tempo existem desenvolvedores fabricando jogos inéditos para Mega Drive e NES porque, aparentemente, essas máquinas ainda não receberam o memorando informando que deveriam estar mortas.
Para quem atravessou Atari, MSX, Amiga, Mega Drive, Super Nintendo e aquelas bancas onde uma revista era basicamente nossa internet mensal impressa em papel, escoltar um evento desses pretexto uma sensação curiosa.
Não é exclusivamente saudade.
É perceber que aquela história ainda está acontecendo.
E se o primeiro Pixel Arcadia conseguiu colocar no mesmo programa Terranigma, Commodore, Alien Breed, Sanitarium, He-Man, Ninja Baseball e um jogo novo de NES, já posso expressar que quero ver a segunda edição.
Agora alguém só precisa avisar a Square Enix que ainda existem Soul Blazer e Illusion of Gaia naquela gaveta.
Pode transfixar.
A gente espera.
Mas não mais 30 anos, por obséquio.

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