Início » Review Romancing SaGa Minstrel Song Remastered International

Ou: quando eu achei que ia jogar um JRPG normal e acabei entrando num experimento social medieval com deuses rancorosos, bardos fofoqueiros e um sistema que julga minhas escolhas silenciosamente!
Eu vou ser muito sincera com você logo de face, do jeitinho Magali de ser: Romancing SaGa: Minstrel Song Remastered International não é um RPG que te pega pela mão. Ele te pega pelo colarinho, te joga num mundo enorme, diz “se vira” e ainda fica olhando de longe, anotando tudo num caderninho invisível chamado Event Rank. Sim, o jogo te avalia. O tempo todo. E eu só fui entender isso depois de umas boas horas pensando “ué, mas essa missão sumiu???”.
Mas calma. Respira. Vamos por partes, porque esse jogo é uma daquelas experiências que parecem confusas no primícias, estranhas no meio e estranhamente brilhantes quando tudo começa a fazer sentido.
O jogo se passa em Mardias, um mundo moldado por tretas divinas, guerras antigas e aquele clássico clima de “alguma coisa muito ruim vai voltar e ninguém avisou recta”. Lá no pretérito, os deuses tretaram, o mal foi selado, um herói lendário chamado Mirsa se sacrificou, espalhou umas pedras mágicas (os Fatestones) pelo mundo e pronto: história clássica de fantasia… só que contada do jeito SaGa, ou seja, sem traço reta, sem exposição mastigada e com um poeta misterioso surgindo em tavernas uma vez que se fosse o Twitter medieval.
Esse Minstrel (o bardo) não é só decorativo. Ele conecta as histórias, comenta eventos e basicamente funciona uma vez que a cola narrativa desse mundo fragmentado. Eu renda que em alguns momentos parecia que ele sabia mais sobre o que eu estava fazendo do que eu mesma. Levemente terrificante, mas poético.
Cá vem uma das coisas mais legais — e mais cruéis — do jogo: oito protagonistas jogáveis, cada um com sua própria história inicial, contexto e… nível de dificuldade encapotado.
Tem ladra procurada, pirata parrudo, dançarina sensual, guerreira viking fortona, espadachim desmemoriado, domadora de feras fofinha, príncipe certinho… é tipo um buffet de JRPG. E simples que eu escolhi baseada em estética (erro clássico). A Sif é maravilhosa, mas estrear com ela é tipo entrar numa ateneu direto no treino avançado sem aquecer.
E é aí que o jogo ri baixinho.
Agora vamos falar do Event Rank, o verdadeiro vilão oculto de Minstrel Song.
Esse sistema controla a progressão do mundo. Missões aparecem e desaparecem, personagens mudam, eventos avançam… e tudo isso acontece conforme você vence batalhas, não conforme o tempo real passa. Ou seja: quanto mais você luta, mais o mundo avança.
Sim. Grindar pode ser uma péssima teoria cá.
Sim. Isso vai contra tudo que meu cérebro de JRPG foi treinado a fazer desde gaiato.
Sim. Eu sofri.
Mas, depois do choque inicial, eu entendi a genialidade: o jogo te força a explorar, testar, errar e concordar consequências. Cada run é dissemelhante. Cada personagem revela partes novas do mundo. Não existe “rota certa”. Existe sua rota.
O combate é em turnos, logo qualquer veterano de RPG se sente em morada… até o jogo estrear a ensinar habilidades do zero.
O famoso sistema de Glimmer faz com que personagens aprendam técnicas novas espontaneamente durante a guerra. Parece aleatório (e é um pouco), mas existem regras ocultas que nunca são totalmente explicadas. É o tipo de coisa que ou você aceita… ou enlouquece.
Eu aceitei. Depois de reclamar. Bastante.
Mas quando você entende que o SaGa quer que você desapegue do controle integral, tudo flui melhor. É quase uma filosofia de vida. Um RPG zen. Um JRPG que te diz: confia no processo.
Se os protagonistas já são criativos, os personagens recrutáveis são um show à segmento. Tem lizardman bondoso, urso gigante adorável, gente esquisita, gente incrível, gente que você nunca esperaria ver num grupo de heróis tradicionais.
É cá que a série SaGa brilha de verdade: imaginação sem freio. Zero parece genérico. Tudo parece alguém muito inspirado dizendo “e se…”.
Vamos falar do elefante na sala (ou do bonequinho de cabeça grande): o visual é estranho. Personagens têm proporções exageradas, cabeças grandes, rostos caricatos. Em cenas dramáticas, às vezes eu queria rir. Não por deboche, mas porque parecia uma peça de teatro estilizada.
Os cenários são bonitos, com texturas que lembram aquarela, mas o remaster deixa simples que os arquivos originais sofreram. Algumas áreas são lindas, outras parecem um pouco borradas. É inconsistente, mas ainda assim charmoso. Um charme invulgar. Do tipo que cresce com o tempo.
Cá o remaster brilha de verdade. Temos:
interface melhorada
indicador visível do Event Rank (SALVOU VIDAS)
batalhas em velocidade tripla
dificuldades ajustáveis
teor restaurado
novos personagens jogáveis
superbosses
mais classes
Isso transforma Minstrel Song de um RPG “hermético e terrificante” em alguma coisa difícil, mas justo. Novatos ainda vão suportar? Sim. Mas agora é um sofrimento compreensível.
A versão International não muda o teor em si, mas adiciona novos idiomas, tornando o jogo finalmente alcançável para um público maior. Se você nunca jogou antes por motivo da barreira linguística, essa é a versão definitiva pra entrar em Mardias sem pânico.
Para quem já jogou o remaster anterior? É praticamente o mesmo pacote. Zero revolucionário. Mas funcional.
Romancing SaGa: Minstrel Song Remastered International não é um RPG pra todo mundo. Ele exige paciência, curiosidade e disposição pra desaprender hábitos antigos. Mas se você entra no ritmo, aceita o caos e se permite errar… ele se revela uma das experiências mais únicas, livres e fascinantes do gênero. É um JRPG que não te trata uma vez que protagonista integral, mas uma vez que alguém vivendo num mundo que segue em frente com ou sem você. E isso, pra mim, é lindo. Confuso? Às vezes. Estranho? Bastante. Peculiar? Demais. 💖

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