Início » Super Yooka-Laylee Kart é anunciado para PC

O tio RumbleTech vai falar uma coisa que todo veterano dos anos 90 sabe, mas a indústria insiste em redescobrir a cada dez:
Parece fofo.
Parece sarapintado.
Parece inofensivo.
Parece aquele tipo de jogo para reunir amigos no sofá.
Pataratice.
Jogo de kart é um laboratório social onde pessoas aparentemente civilizadas revelam seu verdadeiro caráter depois de tomar um casco, uma explosivo, um míssil teleguiado ou qualquer item criado por um designer que claramente odeia relações humanas saudáveis.
E agora a Playtonic Friends e a Playtonic Games anunciaram Super Yooka-Laylee Kart para PC, ainda sem data de lançamento definida. O jogo terá testes beta focados em multiplayer e poderá ser testado pela primeira vez no Summer Game Fest Play Days.
Ou seja: preparem o controle, a amizade e o legista.
Assista ao trailer clicando aqui.
A Playtonic já tinha deixado sua marca com Yooka-Laylee, aquele projeto que nasceu com a espírito dos plataformas 3D dos anos 90, olhando diretamente para a era Banjo-Kazooie, Donkey Kong 64 e companhia.
Agora a dupla resolveu seguir outro caminho clássico dos mascotes:
E isso é praticamente rito de passagem.
Se você é mascote sarapintado e sobrevive tempo suficiente, eventualmente alguém te coloca dentro de um veículo, te dá item apelão e manda você destruir seus amigos em uma pista temática.
É a ordem procedente das coisas.
A própria descrição do jogo tenta deixar simples que a Playtonic não está exclusivamente fazendo uma imitação genérica do maior nome do gênero.
Segundo a página, Super Yooka-Laylee Kart aposta em corrida arcade com foco em precisão, manobras, armas, técnicas avançadas e domínio real das pistas. A teoria é oferecer uma experiência em que habilidade importa, e não exclusivamente sorte de pegar item sem razão no último segundo.
Evidente.
Todo jogo de kart fala isso.
Até você estar em primeiro lugar, faltando dez metros para a chegada, e qualquer infeliz disparar um item vindo diretamente do departamento de injustiça divina.
Mas pelo menos a intenção parece boa.
A mecânica mais interessante revelada é o sistema de Raiva.
Funciona assim: conforme os rivais jogam você de um lado para outro e basicamente transformam sua corrida em humilhação pública, sua Raiva vai crescendo. Quando liberada, ela permite usar habilidades vingativas capazes de virar o jogo em um momento.
Isso é genial.
Porque finalmente um jogo de kart está admitindo a verdade emocional do gênero.
Você não está exclusivamente correndo.
Você está acumulando ódio.
Todo empurrão.
Toda batida.
Todo projétil.
Toda curva perdida porque alguém decidiu viver no mesmo espaço que você.
Tudo vira combustível para retaliação.
É praticamente terapia automobilística.
Cá está o pormenor que fez o tio RumbleTech levantar da cadeira.
A Playtonic diz que Super Yooka-Laylee Kart está sendo criado do zero com foco em networking e vai levar rollback netcode para o gênero de corrida de kart, buscando ação online ultrarresponsiva e com virtualmente nenhum detido de comando.
Isso é importante demais.
Rollback netcode é um tanto que a comunidade de jogos de luta passou anos gritando para todo mundo implementar. Agora ver isso sendo tratado uma vez que prioridade em um kart racer mostra que a Playtonic entendeu uma coisa simples:
Parece óbvio.
Mas a indústria moderna frequentemente trata “responder muito” uma vez que recurso premium desbloqueado no segundo patch.
Se o rollback realmente funcionar uma vez que prometido, Super Yooka-Laylee Kart pode ter uma vantagem enorme no online.
Porque em jogo de kart, detido de comando é violação. Você perde a curva, bate na parede, explode, e ainda precisa ouvir alguém dizendo “foi falta de habilidade”.
Não. Foi lag, Roberto.
Foi lag.
Outro ponto maravilhoso: o jogo terá até 8 jogadores localmente em tela dividida, além de corridas online, salas exclusivas e multiplayer contra o mundo.
Oito jogadores locais.
Isso cá é lindo e perigoso.
Porque multiplayer lugar é uma tradição sagrada dos videogames. É onde nascem:
Oito pessoas na mesma tela jogando kart é praticamente uma experiência sociológica.
Provavelmente termina com alguém indo embora antes da pizza chegar.
A Playtonic também promete uma personalização extensa de corridas, regras e torneios. A descrição fala em gerar disputas com projéteis teleguiados, velocidade insana e até chuvas de meteoros.
Chuva de meteoros.
Em corrida de kart.
Evidente.
Porque aparentemente um lagarto e uma morceguinha disputando posição não era caótico o suficiente.
Mas esse tipo de customização pode ser magnífico. Jogos de kart vivem muito da capacidade de gerar “modos idiotas” que viram tradição entre amigos.
Todo grupo tem aquela feitio proibida.
Aquela regra absurda.
Aquele torneio que ninguém leva a sério até alguém perder.
E aí vira guerra.
Outro elemento curioso é o uso das moedas.
Uma vez que em outros kart racers, moedas ajudam a aumentar velocidade. Mas cá elas também podem ser gastas em benefícios poderosos entre corridas, permitindo escolher entre manter velocidade, gastar agressivamente ou velar recursos para uma corrida final.
Isso adiciona uma categoria estratégica interessante.
Porque jogo de kart normalmente é corrida por corrida.
Cá parece possuir uma lógica de torneio com gerenciamento de recurso.
Você pode jogar no conservador.
Pode gastar tudo.
Pode montar um “baú de guerra”.
Ou pode fazer o que o jogador médio faz: gastar tudo incorrecto e culpar o balanceamento.
O jogo terá uma campanha de história com torneios, corridas contra rivais e uma variedade de desafios baseados em habilidade. Também há menção a segredos para deslindar.
Isso é ótimo.
Porque jogo de kart com campanha robusta ganha muito valor para quem não quer viver exclusivamente no online tomando pancada de jovem com revérbero transcendente.
E, sinceramente, Yooka-Laylee combina com campanha enxurrada de mundos coloridos, personagens esquisitos e rivalidades absurdas.
A Playtonic tem universo suficiente para fazer isso render.
A descrição fala em pixel art enxurrada da personalidade da Playtonic, combinada com técnicas modernas de renderização para gerar um visual renovado e contemporâneo.
Essa decisão pode ser muito boa.
Porque nem todo jogo precisa percorrer detrás de realismo.
Aliás, kart racer geralmente funciona melhor quando abraça estilo.
Mario Kart prova isso há décadas.
Crash Team Racing também.
Sonic Racing também.
Se Super Yooka-Laylee Kart conseguir ter identidade visual própria, colorida, clara e enxurrada de personalidade, já dá um passo enorme.
O gênero precisa de leitura visual rápida. Você precisa entender pista, item, curva e rival em milésimos de segundo.
Se o jogo for bonito, mas confuso, perde metade da perdão.
Vamos falar do elefante no kartódromo.
Todo jogo de kart vai ser comparado com Mario Kart.
Não tem fuga.
É uma vez que fazer jogo de plataforma e evadir de Mario.
Ou jogo de luta 2D e evadir de Street Fighter.
Ou mundo acessível criminoso e evadir de GTA.
Mas Super Yooka-Laylee Kart não precisa “matar Mario Kart”.
Até porque essa frase é idiota e a internet deveria ser multada sempre que usa.
O jogo precisa fazer outra coisa:
Se ele entregar online bom, customização potente, campanha divertida, controles precisos e uma identidade própria, já tem lugar.
Principalmente no PC, onde o espaço para kart racer de qualidade ainda é muito mais acessível do que deveria.
O tio RumbleTech gosta da Playtonic porque o estúdio entende o charme dos jogos antigos.
Mas cá vai a segmento ranzinza:
em jogo de kart, nostalgia não salva controle ruim.
Não adianta ter personagem simpático, trilha divertida, pista colorida e piada britânica se o drift parecer um carrinho de supermercado com roda travada.
Kart racer vive de sensação.
O carruagem precisa responder.
A curva precisa fazer sentido.
O boost precisa dar prazer.
A colisão precisa ser caótica, mas justa.
Se a Playtonic ajustar isso, temos jogo.
Se errar, vira “bonitinho, mas frustrante”.
E o mundo já tem frustração demais.
Super Yooka-Laylee Kart parece uma aposta muito mais interessante do que o nome inicialmente sugere.
Tem corrida arcade com foco em habilidade, sistema de Raiva para viradas vingativas, customização absurda de regras, campanha de história, multiplayer online, salas privadas, placares, corridas contra o tempo, rollback netcode e até 8 jogadores locais em tela dividida.
Isso é um pacote potente.
Agora falta ver se a jogabilidade segura a vaga.
Porque no término das contas, jogo de kart vive ou morre no controle, na sensação de velocidade e na capacidade de fazer o jogador gritar “só mais uma corrida” enquanto claramente deveria ir dormir.
Enquanto isso, o tio RumbleTech segue cá observando com interesse.
Porque se a Playtonic ajustar, Super Yooka-Laylee Kart pode virar aquele tipo de jogo que começa uma vez que diversão simples e termina com quatro amigos se odiando em tela dividida.
E convenhamos:

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