Início » Tomonobu Itagaki: o samurai dos games de ação difíceis

Ah, meus amigos… se você cresceu nos anos 80 e 90, aquele tempo em que o fliperama era templo e o controle do Nintendinho era extensão da psique, portanto você entende o peso desse nome: Tomonobu Itagaki.
O rosto era um verdadeiro rockstar dos games — jaqueta de pele, cabelo despenteado, fala afiada e uma crédito tão grande que faria o Ken Masters parecer tímido.
E agora que ele se foi, fica aquele vazio. Mas também fica uma história daquelas — enxurrada de sucesso, treta, suor e dificuldade (muita dificuldade).
Antes de ser o varão por trás de Dead or Alive e Ninja Gaiden, o Itagaki era só mais um moleque nipónico enamorado por arcades — e, convenhamos, quem não era?
Ele entrou pra Tecmo lá no primórdio dos anos 90, quando os fliperamas ainda reinavam. A empresa era dona de clássicos uma vez que Rygar, Bomb Jack e Solomon’s Key — jogos que exigiam revérbero e saudação, coisa rara hoje em dia.
E foi nesse caldeirão que o jovem Itagaki aprendeu o que é design de duelo: cada período era uma prova, cada inimigo uma prelecção.
Zero de checkpoints de 10 em 10 metros ou tutorial que segura tua mão. Nos anos 80, você aprendia na marra. E Itagaki levou essa filosofia pra vida inteira.
A história de Dead or Alive (1996) é quase mítica. A Tecmo tava meio quebrada, precisando de um sucesso pra não fechar as portas. Itagaki, o doidão visionário, disse:
“Me dá essa franquia de luta que eu resolvo.”
E resolveu mesmo.
Enquanto Tekken e Virtua Fighter dominavam o gênero com seriedade, Itagaki trouxe velocidade, impacto e estilo.
O famoso “sistema triângulo” — Golpe vence Lançadura, Lançadura vence Contra, Contra vence Golpe — era simples, mas genial.
E o resultado? Um jogo técnico, fluido, magnificiente e… sim, provocante.
Ele dizia sem pudor que formosura também era segmento da diversão — e o Dead or Alive ficou famoso tanto pelos combates quanto pelas personagens femininas cheias de carisma (e física própria, digamos assim).
Mas Itagaki não ligava pra polêmica. Ele dizia:
“Eu faço o que é jocoso. Se o jogador sorri, eu venci.”
E venceu bonito.
Aí veio 2004, e o Xbox precisava de um restrito que provasse o poder da máquina. Itagaki olhou pra livraria da Tecmo e viu uma relíquia empoeirada: Ninja Gaiden.
Aí ele pensou: “E se eu trouxer isso de volta, mas sem piedade?”
E assim nasceu Ninja Gaiden (Xbox), um dos jogos mais difíceis e recompensadores já criados.
Cada luta era um duelo de honra. Cada inimigo, uma sentença de morte se você vacilasse.
O jogo não perdoava erro, e Itagaki amava isso. O sistema de combate era fluido, os controles precisos, e a câmera… bom, a câmera era uma entidade maligna. Mas fazia segmento do charme.
Ele dizia que a dificuldade era o tempero da vida, e zombava dos jogadores que pediam modo fácil.
Chegou até a produzir o famoso “Ninja Dog Mode”, em que o jogo te deixava mais potente, mas te humilhava com faixas cor-de-rosa e falas debochadas.
Era o jeito dele de proferir: “Quer moleza? Vai jogar Tetris no modo zen.”
Ninja Gaiden Black e Ninja Gaiden II foram ainda mais brutais — mas também mais elegantes.
Foi o auge do Team Ninja, o estúdio sob seu comando, e Itagaki virou uma espécie de mito viva entre os jogadores que gostavam de tolerar com estilo.
Mas uma vez que toda boa história dos anos 80, não dá pra falar de Itagaki sem falar das tretas.
O varão não tinha papas na língua. Criticava jogos, empresas e até colegas de profissão.
Já falou que o Tekken era lento, que o Bayonetta não era tudo isso e que jogo “fácil” era perda de tempo.
Dentro da Tecmo, o clima azedou. Em 2008, Itagaki processou a empresa por não remunerar bônus prometidos e ainda saiu chutando a porta, dizendo que tinham lançado Dead or Alive 2 incompleto sem autorização dele.
Depois disso, ele fundou a Valhalla Game Studios e tentou produzir um pouco novo: Devil’s Third.
O jogo misturava tiro e porrada, um Frankenstein jocoso mas invulgar.
Foi lançado no Wii U e, bom… digamos que a teoria era boa, mas o hardware não ajudou. Mesmo assim, Itagaki defendeu o projeto até o término, dizendo que “preferia fracassar tentando um pouco dissemelhante do que fazer o mesmo de sempre.”

Fora das telas, Itagaki era um personagem. Sempre de óculos escuros, sempre falando em metáforas de luta, sempre provocando.
Dava entrevistas com frases do tipo:
“Eu não jogo pra vencer. Eu jogo pra esmigalhar.”
Ele se via uma vez que um samurai moderno, lutando contra o comodismo da indústria. E quando perguntavam por que não fazia jogos mais acessíveis, ele respondia:
“Porque não quero fazer brinquedos. Quero fazer desafios.”
Simples, ele também teve suas polêmicas fora dos holofotes — processos, acusações (das quais foi absolvido), brigas internas — mas mesmo assim, manteve aquele ar de quem nunca se desculpa por ser ele mesmo.
E, sinceramente? O mundo dos games precisa de gente assim — artistas com psique, não robôs de marketing.

Itagaki acreditava que jogo bom é aquele que te ensina apanhando. Ele dizia que se o jogador perde, o jogo não falhou — ele te ensinou um pouco.
E, mano, se você jogou Ninja Gaiden, aprendeu mais sobre paciência do que em qualquer curso de reflexão.
Cada inimigo era um professor. Cada itinerário, um manual de sobrevivência. E quando você finalmente vencia, era aquela sensação de triunfo que nenhum modo “Story Easy” do mundo poderia replicar.
Ele não fazia jogos pra todos. Fazia jogos pra quem queria melhorar de verdade.
E isso é uma filosofia que tá desaparecendo. Hoje, muito jogo parece querer evitar o desconforto. Mas Itagaki sabia que o desconforto era o que tornava a vitória gula.
Tomonobu Itagaki não foi só um desenvolvedor. Foi um arquiteto do duelo. Um rosto que acreditava que o jogo só faz sentido quando você se levanta depois de tombar.
De Rygar aos tempos dourados da Tecmo, passando por Dead or Alive, Ninja Gaiden e Devil’s Third, ele deixou um traço único: a crença de que videogame é sobre domínio, não sorte.
Enquanto o mundo enchia os títulos de tutoriais e checkpoints, Itagaki continuava gritando do fundo do dojo:
“Seja potente! Não peça ajuda!”
E é por isso que ele virou mito. Um varão que nunca abriu mão de fazer o que acreditava — mesmo que isso significasse ir contra o mundo.
Pra mim, Itagaki representa uma era. A era em que jogo era jogo, e não parque de diversões. A era em que a vitória tinha paladar de suor e a itinerário ensinava mais que milénio cutscenes.
Ele viveu uma vez que seus protagonistas: rápido, teimoso, indomável. E partiu deixando pra trás uma filosofia que poucos têm coragem de seguir hoje.
Portanto levanta o copo, gamer das antigas. Bota a trilha de Ninja Gaiden pra tocar, acende aquele cigarro imaginário e faz uma reverência silenciosa.
Porque o velho samurai Itagaki se foi —
mas o espírito dele ainda tá lá,
em cada chefão que te mata 10 vezes antes de tombar,
em cada jogo que não segura tua mão,
em cada luta que vale a pena vencer.
🎮 “Tomonobu Itagaki foi o último dos ninjas dos games — falava sobranceiro, batia potente e nunca pediu desculpa por ser difícil.”

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